Tudo junto e misturado

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Confio mais nessa pesquisa que no Datafolha


Hoje fui cortar cabelo e o instituto DATABARBEIRO, aponta vitória de Dilma Rousseff com 97% dos votos válidos. É claro que por estar em um bairro da periferia, essa margem deve cair mas não será menor que 60% dos votos válidos, segundo meu barbeiro, que entende muito mais de ouvir pessoas que o DATAFOLHA.

A pluraridade da imprensa

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Youtube/Twitcam: o debate na Record

Do blog do Luis Nassif



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Zé Baixaria repete campanha de 2002 quando dizia que Lula "não sabia administrar nem carrinho de pipoca"

Do blog Os amigos do presidente Lula

Quem não se lembra da campanha presidencial de 2002, quando os demo-tucanos elitistas da campanha de José Serra (PSDB/SP), diziam que o então adversário Lula "não sabia administrar nem carrinho de pipoca"?

Os arrogantes demo-tucanos mentiam porque Lula já havia sido dirigente de um dos mais importantes sindicatos do Brasil, havia sido fundador e dirigente da bem sucedida Central Única dos Trabalhadores e do maior partido de esquerda, de massas, da América Latina. Não era pouca coisa.

Para piorar, a elite demo-tucana ainda tratava pejorativamente os pipoqueiros. Um carrinho de pipoca é um pequeno empreendimento que deve ser valorizado, e não depreciado. Os pipoqueiros tiram sua renda honestamente dali para sua família, para seus filhos estudarem, e é um trabalho da maior dignidade como qualquer outro.

Sem querer, Serra passou atestado de honestidade para Dilma

Hoje a propaganda de José Serra (PSDB) no rádio voltou a repetir os mesmos argumentos elitistas contra Dilma, acusando-a de "não conseguir administrar uma loja popular de R$ 1,99".

A história, é que a loja foi aberta em 1995, em Porto Alegre, junto com a ex-cunhada Sirlei Araújo, um sobrinho e o marido. Depois de 1 ano e meio decidiram fechar. Para o jornal Folha de SP que desencavou esse fato sem qualquer importância, na extensa biografia pública de Dilma, Sirlei disse que o negócio até que deu bem certo, o problema era que Dilma não tinha tempo, porque sempre estava envolvida com a política, e Sirlei também não tinha como se dedicar mais à loja.

Os arrogantes e elitistas demo-tucanos, acostumados a frequentar apenas as suntuosas sedes bancárias da Av. Paulista, também ignoram que pequenas empresas familiares, muitas vezes são abertas como opção de trabalho e renda, para a própria pessoa ou para filhos ou parentes, e algumas vezes são fechadas quando os donos não tem mais vocação para outras atividades do que a empresarial.

Também há um tom pejorativo nas críticas da elite demo-tucana na propaganda de Serra, contra pequenos comerciantes, como se lojas populares e bazares não fossem um empreendimento de valor, da maior importância para gerar empregos e renda, movimentar a economia e suprir o comércio local de bairros.

Mas o mais importante é que esse episódio passa um atestado de honestidade para Dilma.

Ela tinha acabado de sair do poderoso cargo de Secretária Estadual de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul. Já havia sido Secretária Municipal de Fazenda de Porto Alegre.

Se fosse uma tucana do bico grande, imediatamente iria parar em uma diretoria de um banco como o Opportunity de Daniel Dantas, ou então abriria uma empresa de consultoria com a irmã de Dantas, como fez a filha de José Serra.

Em vez disso, abriu uma micro-empresa que nada tinha a ver com o ramo de atividade da área que ela teria influência, como qualquer pequena empresa familiar de qualquer brasileiro. É por isso que, cada vez mais, temos mais motivos para votar em Dilma.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Folha de São Paulo, um dos jornais mais vagabundo do mundo

Só não disse no título que a Folha é a mais vagabunda do mundo, porque ela disputa pau a pau com O Globo, Estadão e outros lixos espalhados pelo mundo.

A Folha joga o famoso “se colar, colou”

Do Tijolaço

Chega a ser ridículo o esforço da Folha de S.Paulo para desmerecer Dilma Rousseff e apontar irregularidades político-eleitorais na ação do Governo Lula.
Hoje, mais uma matéria da série “vamos esquadrinhar seu passado até acharmos algo que sirva ao Serra”. Depois de mandar gente até à Bulgária, outro jornalista convetido em “agente” foi ao Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul apurar “irregularidades” cometidas por Dilma em…1992!
O jornal de vale de parecer de auditores do TCE para apontar irregularidades comentidas numa licitação naquele ano e afirmando que a empresa vencedora havia sido “criada seis meses antes para vencer um contrato de R$ 1,8 milhão”. Aí diz que, “depois” disso a empresa conseguiu contratos com o PT (onde Dilma só ingressaria oito anos depois) e até uma contratação vultosa com a Secretaria de Imprensa da Presidência, em 2008. Ou seja, 16 anos depois. Que vida longa para um empresa “criada seis meses antes para ganhar um contrato”.
O fato de as contas de Dilma terem sido aprovadas por unanimidade fica perdido, lá no meio da matéria. O fato de ela defender-se, como é legítimo e legal, vira, na redação do jornal “em 96, Dilma pressionou o Tribunal”. Como “pressionou”, se não tinha qualquer cargo ou poder, então? Ah, não importa, importa é que dá para fazer alguma intriga. Desafio qualquer administrador público a dizer que nunca sofreu um questionamento sequer por parte de um tribunal de contas.
Mas, não satisfeito, o jornal “mais imparcial do Brasil” – que, é óbvio, não foi atrás dos inúmeros problema da administração Serra – abre manchete para o fato de que a NBR mandou gravar, apenas para seus arquivos, a participação de Lula em comícios. Aliás, a ordem administrativa deixava claro que o material não se prestaria à veiculação nem poderia ser cedido informalmente, mas constituiria simples registro histórico das atividades do presidente que, ao que eu saiba, não deixa de ser presidente hora alguma do dia.
Claro que o assunto vai dar pano para mangas e logo teremos a Dra. Sandra Cureau com os holofotes em cima, porque os nossos jornais não querem nem saber se não houve benefício eleitoral, que é o que a lei veda, mas apenas se é possível explorar o assunto. Nem lhes passa pela cabeça que, em matéria de filmagem e propaganda, a campanha dispõe de pessoal próprio. Ou o que aconteceria, no caso de um questionamento judicial, se o Presidente tivesse de defender-se usando gravações… Ou será que achariam normal que o chefe de Estado apresentasse sua defesa com base nas gravações da campanha? Já vejo até o título: Advogados da União usam imagens de campanha para defender Presidente…
A campanha eleitoral, para a Folha, é isso: um festival de quinquilharias a serem exploradas seletivamente. Verdadeiras ou não, as acusações se pretam a uma finalidade eleitoral inequívoca.
Quer uma prova?
Vocês lembram de toda aquela história sobre o dossiê que teria sido preparado pela equipe de Dilma, com arapongas, etc, com a qual o jornal sustentou durante semanas um tiroteio contra a candidata.
Pois bem, como revela o site Brasilia Confidencial, há dez dias atrás, a Folha publicou uma matéria onde se lê, sem destaque, que não havia dossiê algum e que todo o material que ela obteve era de cinco anos antes, recolhido sem nenhuma irregularidade, na Junta Comercial, em cartórios e na internet. Reproduzo no post a imagem do jornal para que você leia.
Ou seja, não havia sido feito nenhum dossiê.
A Folha não tem vergonha de desmentir as suas prórpias inverdade. Publica-as em manchete, desmente-as em letras miúdas.
Com isso, vai ficando, ela própria, cada vez mais descareditada e miúda.

Isso nem a Veja e nem a Folha querem mostrar

Já pensou se fosse coligado do PT? Estaria nos jornais e no jornal nacional pelos menos por um mês, mas como é coligado aos protegidos da mídia, nada se fala.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fatos e versões

Da Carta Capital - Por Marcos Coimbra

Nas eleições, como em tudo na vida, uma coisa são os fatos, outra as versões. E, nem sempre, aqueles são mais importantes. Na luta política, uma versão bem defendida vale mais que muitos fatos.

Uma vitória, por exemplo, pode ficar parecida a uma derrota, de tão diminuída e apequenada. Depende do que sobre ela se diz. Por maior e mais extraordinária que seja, os derrotados podem se vingar, ganhando a batalha das versões. Os vitoriosos, em vez de comemorar e receber elogios, ficam na posição de se explicar, se defender. Os perdedores lhes roubam a cena.

Neste fim de campanha eleitoral, à medida que nos aproximamos da data da eleição, a perspectiva de uma vitória de Dilma por larga margem só tem aumentado. Ao que tudo indica, ela vai conseguir o que Lula não conseguiu em nenhuma das eleições que disputou: ganhar no primeiro turno. A crer nos números das pesquisas, ela está prestes a alcançar, já em 3 de outubro, a votação que ele obteve apenas no segundo turno de 2006, quando chegou a 60% dos votos válidos. Não é nada, não é nada, Dilma tem tudo para se tornar, daqui a três semanas, a pessoa mais votada de nossa história.

Enquanto a eleição real avança, a guerra de narrativas sobre seu provável resultado está em curso. De um lado, a que é formulada pelas forças políticas e as correntes de opinião que não conseguiram apoio na sociedade para levar seu candidato à vitória. Do outro, a dos vencedores.

Paradoxalmente, são os prováveis derrotados na batalha eleitoral real que estão em vantagem na briga das versões. Vão perder, ao que parece, na contagem dos votos, mas têm, pelo menos por enquanto, o consolo de fazer que sua interpretação prevaleça.

É o oposto daquilo que o professor Edgar de Decca, da Unicamp, caracterizou há alguns anos. Escrevendo sobre a Revolução de 1930, ele mostrou que ela entrou para nossa história através da narrativa daqueles que a venceram. Tudo aquilo pelo qual se bateram os derrotados foi ignorado ou desconsiderado. Sobre aquele movimento, nossa historiografia só nos conta a versão dos vencedores. Ninguém mais se lembra do que queria o outro lado. Impôs-se a ele “o silêncio dos vencidos”.

Em 2002, Lula e o PT venceram tanto a eleição quanto a batalha das versões. Quando o resultado objetivo foi proclamado, estava pronto um
discurso: era “a vitória da esperança sobre o medo” e o Brasil podia sentir orgulho de sua própria coragem ao colocar na Presidência um metalúrgico. Ninguém deslegitimou o que as urnas disseram.

Se Lula começasse seu segundo mandato depois de uma apertada vitória sobre Alckmin no primeiro turno da eleição de 2006, seria complicado livrar-se da interpretação de que, depois do mensalão, havia diminuído de tamanho. Mas, no segundo turno, cresceu tanto que até seus detratores tiveram que reconhecer que nada indicava que fosse essa a realidade.

Agora, na véspera do que todos calculam ser a eleição de Dilma, está sendo elaborada uma versão que a reduz. Nela, a vitória é apresentada como um misto de manipulação (“usaram o Bolsa Família para comprar o voto dos miseráveis”), ilegalidade (“Lula passou por cima de nossa legislação eleitoral”) e jogo sujo (“montaram um fábrica de dossiês para derrotar José Serra”).

Nesse tipo de combate, não faz a menor diferença se algo é verdade ou não. Como é apenas uma guerra de versões, o que conta é falar alto. Quem tem meios de comunicação (jornais, revistas, emissoras de televisão) à disposição para propagandear seus argumentos, sempre leva vantagem. Pode até ganhar.

Que importa se apenas 20% do voto de Dilma vem de eleitores em cujo domicílio alguém recebe o benefício (ou seja, que ela tem votos suficientes para ganhar no primeiro turno ainda que esses fossem proibidos de votar)? Que importa se nossas leis são tão inadequadas que até uma passeata de humoristas a modifica? Que importa se nada do resultado da eleição pode ser debitado a qualquer dossiê, existente ou imaginado?

Mas fatos são sempre fatos. E as versões, por mais insistentes que sejam, não os modificam. Ganha-se no grito, mas perde-se no voto. Lá na frente, os fatos terminarão por se impor.

Matéria origalmente publicada no Correio Braziliense

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O que a imprensa não cava

Do Tijolaço




Só um jornal deu primeira página, hoje, para o anúncio da – vou transcrever o Estadão – “maior descoberta mundial de petróleo dos últimos 20 anos”, a reserva de Libra, que pode conter 8 bilhões de barris de petróleo, mais que o poço gigante de Tupi, o maior da camada pré-sal.

Libra, sozinha, pode ser uma jazida igual a tudo o que o nosso país possuía em 2001. Pode, junto com Tupi, representar o aumento em 100% de nossas reservas.

Não é notícia, aqui, mas a agência Reuters dedicou a isso uma grande matéria, destacando que o novo poço já será explorado dentro do novo marco regulatório do pré-sal, onde a Petrobras será necessariamente a operadora e ganhará o direito, na licitação, quem oferecer à União a maior parcela do petróleo extraído.

A exploração terá, também, um conteúdo nacional de 60 a 65%. Isso significa uma imensa massa de produção, que vai de plataformas a pequenos componentes da atividade de perfuração e extração.

A tudo isso, a turma do Serra se opôs violentamente no Congresso, inclusive com a tentativa desmoralizar a Petrobras, com métodos que chegaram, inclusive, à quebra ilegal do sigilo fiscal de seus diretores.

Nossa imprensa ignora solenemente este grande momento do país. Sua capacidade de perfuração é apenas para extrair escândalos, mesmo que para isso tenha de injetar lama na campanha eleitoral.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

A resposta de Erenice Guerra

Do blog óleo do diabo


A Veja desta semana traz mais uma reportagem "bala de prata" tentando atingir a candidatura Dilma Rousseff através de sua ex-secretária (atual ministra) no Ministério da Casa Civil. Globo, Folha e Estadão, ou seja, a mídia suja e vendida, já repercute histericamente. O Jornal Nacional também deve entrar na festa.

Leia a resposta contundente e definitiva de Erenice. Disponibilizar seus dados bancários e telefônicos não é para qualquer um. Tudo leva a crer que, terminada as eleições, haverá uma avalanche de processos por calúnia. Serra e a revista Veja serão os campeões - no lado dos réus. Podem ir coçando os bolsos, seus crápulas, porque o prejuízo será grande.


Nota à Imprensa - Casa Civil

Sobre a matéria caluniosa da revista VEJA, buscando atingir-me em minha honra, bem como envolver familiares meus, cumpre-me informar:

1) procurados pelo repórter autor das aleivosias, fornecemos – tanto eu quanto os meus familiares - as respostas cabíveis a cada uma de suas interrogações. De nada adiantou nosso procedimento transparente e ético, já que tais esclarecimentos foram, levianamente, desconhecidos;

2) sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo-me tomar as medidas judiciais cabíveis para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista VEJA, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por DANOS MORAIS quanto para que me garanta o DIREITO DE RESPOSTA;

3) como servidora pública sinto-me na obrigação, desde já, de colocar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de TODOS os integrantes de minha família, a disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias para o esclarecimento dos fatos;

4) lamento, por fim, que o processo eleitoral, no qual a citada revista está envolvida da forma mais virulenta e menos ética possível, propicie esse tipo de comportamento e a utilização de expediente como esse, em que se publica ataque à honra alheia travestido de material jornalístico sem que se veicule a resposta dos ofendidos.

Brasília, 11 de setembro de 2010.

Erenice Guerra

Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O crack e o leite das crianças em São Paulo

Do Portal Carta Maior


Na Prefeitura de São Paulo, desde 2004 existe um projeto urbanístico (“Projeto Nova Luz”), que, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), prevê o investimento de fábulas orçamentárias em obras na região do Parque da Luz, no Centro Histórico da cidade de São Paulo, com um total orçado (e liberado pelo BID) em torno de 100 milhões de dólares. Até hoje, uma ínfima quantidade desses recursos foram aplicados. Não tivesse transformado a revitalização num espetáculo hollywoodiano, a então gestão Serra-Kassab não passaria tamanha vergonha. O artigo é de João Paulo Cechinel Souza.

João Paulo Cechinel Souza (*)


A dependência ao crack recentemente ganhou notoriedade junto às autoridades brasileiras, principalmente, em se tratando do período eleitoral, daqueles aspirantes ao cargo presidencial. Diversas estratégias foram e vêm sendo anunciadas nos últimos meses e anos, incluindo ampliação do número de leitos para dependentes químicos e o respectivo aumento de verbas para prevenção e tratamento de indivíduos nessa condição.

Na Prefeitura de São Paulo, desde 2004 existe um projeto urbanístico (“Projeto Nova Luz”), que, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), prevê o investimento de fábulas orçamentárias em obras na região do Parque da Luz, no Centro Histórico da cidade de São Paulo, com um total orçado (e liberado pelo BID) em torno de 100 milhões de dólares. Para quem não conhece ou não sabe, foi no Parque da Luz que teve início o consumo de crack na cidade, ainda na década de 90, caracterizando posteriormente a chamada “Cracolândia”, devido ao grande número de dependentes que até hoje circulam por aquelas imediações.

Contudo, do total aprovado pelo BID para a recuperação da região, apenas 4% foram efetivamente utilizados. Sobre o restante, até hoje incidem multas e taxas diversas, como ocorre com todos os empréstimos do BID – que deverão ser debitados na conta da Prefeitura Municipal em algum momento.

Não tivesse transformado a revitalização num espetáculo hollywoodiano, a então gestão Serra-Kassab não passaria tamanha vergonha. Admitindo publicamente que não pretendiam dar seguimento às iniciativas de revitalização com inclusão social levadas a cabo pela gestão anterior (Marta Suplicy), teve início a “primeira fase” do projeto: a repressão policial – que durou três anos. Somente com o forte estímulo da administração estadual, já sob comando de Serra, algumas reformas isoladas foram realizadas, num segundo momento do projeto.

Mesmo se pretendendo (ou parecendo) bem-intencionado, um projeto dessa magnitude urbanística e, principalmente, humana, carente desde a base de elementos para participação popular e coletiva na tomada de decisões acerca das obras, sem contar a absoluta falta de perspectiva de integração dos habitantes (fixos ou não) a projetos de inclusão social, somente poderia ter o desfecho que teve: o “efeito bilhar”. Os grupamentos humanos que por ali existiam à época do início da repressão policial, assustados pela truculência institucional e agredidos em sua integridade física e psíquica pelo crack, acabaram por se dividir em subgrupos menores e espalharam o problema por toda a cidade.

Disseminado o problema e constatado o consumo dessa substância junto aos extratos sociais mais abastados, Serra planejou então formar as unidades para internação e tratamento dos dependentes químicos – e utiliza isso, hoje, em sua campanha eleitoral, como estratégia universal e única para quaisquer tipos de dependências (química ou não). Infelizmente, a única clínica desse tipo inaugurada até hoje possui dificuldades imensas para receber cidadãos encaminhados por outras localidades.

Afora isso, essa ideia completa a constatação maior, fruto de observação macroestrutural, de que as políticas públicas do Sistema Único de Saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), implantadas no resto do país, ganham características e nomes diferentes em São Paulo, não oferecem as melhorias esperadas (e constatadas em outros Estados) e ainda são brindadas com os vícios administrativos malufistas da época do Plano de Atendimento à Saúde (PAS).

Centrados em sua malfadada campanha eleitoral e em promessas alheias aos anseios do povo, Serra e o demotucanato paulista se esqueceram de garantir o básico aos cidadãos que lamentavelmente dependem do atendimento público à saúde no Estado e no Município de São Paulo. Tivessem dado alguma importância real às vidas dos indivíduos sob sua tutela, entre outros problemas já levantados em artigos anteriores (“O sucateamento da saúde pública em São Paulo” – primeira parte ; e segunda parte) não teriam deixado acabar o leite artificial fornecido aos filhos de mães portadoras do HIV há quase dois meses, numa ação que passa longe da má administração – e se caracteriza, isso sim, como atitude criminosa e hedionda.

Entretanto, para o paraíso midiático do demotucanato – ou Partido da Imprensa Golpista, PiG, segundo Paulo Henrique Amorim – talvez seja mais importante fingir que tais questões simplesmente não existem e trabalhar para que os eleitores também finjam nunca terem passado ou presenciado aberrações como as apresentadas neste e nos outros artigos citados. Na antevéspera da eleição, tenham certeza, o PiG encontrará detalhes do pagamento, no valor de 30 moedas de prata, efetuado por Dilma para que Judas denunciasse Jesus. Isso sim terá valor – e audiência.

(*) João Paulo Cechinel Souza – médico especialista em Clínica Médica, residente em Infectologia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo) e colaborador da Carta Maior

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O escândalo não decola, Dilma dispara e João pergunta: quem teme a devassa?

Do blog Escrevinhador

Devassa é o nome de uma cervejaria. E de uma cerveja no Rio. Na gíria da rapaziada esperta, é também o apelido que se dá a moças pouca regradas. Já em português mais ou menos arcaico, é sinônimo de grandes investigações – muitas vezes levadas a cabo pelo próprio Estado, de forma autoritária (como a Devassa em Minas, que levou à Inconfidência, e à morte de Tiradentes, no fim do século XVIII).

Mas antes que esse texto vire samba-enredo, e misture Verônica Serra com Silvério dos Reis, queria lembrar aos diletos leitores que Dilma não para de subir. O “tracking” Vox/Band/IG mostrou hoje que ela chegou a 55% e Serra afundou para 22%.

A conclusão óbvia é que a história da “devassa” nas declarações de Verônica não rendeu votos para Serra. Até porque o povão deve se perguntar: ah, fizeram um dossiê, e o que mostra o dossiê? Isso o “JN”, a “Folha” e a “Veja” não revelam. Então, a história fica sem graça: é o escândalo de um dossiê que não veio à tona. Ainda que o vazamento mereça – sim – ser investigado pela PF e pela Receita.

E se o tal dossiê viesse à tona, o que haveria de tão terrível para a filha de Serra? Sobre isso, recebo ótimo texto do arquiteto e urbanista João Whitaker.

===

QUEM TEM MEDO DA DEVASSA?

por João Whitaker

Vocês repararam como no discurso oficial em torno do “escândalo” da Receita Federal aparece reiteradamente o argumento da “vida devassada” – no caso, a vida da Verônica Serra?

A idéia é de que a quebra de sigilo representa uma violação escandalosa da vida privada de cada um, que vê suas contas escancaradas. Um risco para o Estado de Direito, que deve zelar pela privacidade dos seus cidadãos.

Formalmente, o argumento é corretíssimo, tudo que a Lúcia Hippolito queria para se indignar à vontade na CBN. Há de fato aí uma questão que deve ser averiguada, pois não é agradável saber que nossa administração pública não zela como deveria por nossos dados pessoais. Mas sinceramente eu nunca confiei plenamente que meus dados fornecidos para a tal Nota Fiscal Paulista, ou para fazer o Bilhete Único, ou mesmo para tirar os documentos do carro fossem assim tão religiosamente guardados. Aliás, o que não falta é documento de carro clonado surgindo por ai.

No âmbito da iniciativa privada, para não falar em cartões clonados com a “ajuda” de funcionários das instituições bancárias, não consigo mais usar minha conta UOL na internet de tanto Spams que recebo. No celular agora virou comum receber ligações de telemarketing. Pergunta: quem vazou meu mail e meu número para todos esses anunciantes?

Quando as próprias empresas alimentam uma cultura de vazamentos para todos os lados, e em um país em que o Estado ainda é uma máquina
bastante corroída pela corrupção (e por isso vulnerável), não deveria parecer tão incomum um sujeito qualquer conseguir um atestado com um
documento falso em um posto remoto da Receita Federal. É escandaloso, mas não é novidade.

A grande imprensa – consternada – resolveu agora analisar o porquê do escândalo “não pegar”: para ela, a grande maioria da população sequer
paga IR, e por isso acha essa história um tanto complexa. Até ai, tudo ok: o povão não paga IR, e ainda bem. Esses assuntos podem mesmo lhe
parecer distantes.

Agora, o que me espanta é essa divisão que vem subjacente ao argumento, como se houvesse dois grupos: um dos que pagam IR e entendem o
escândalo, e outro dos que não pagam e não entendem.

Ai está o ponto sobre o qual vale chamar a atenção: há ainda um terceiro grupo, para o qual a mídia não deu atenção, pois entre os que pagam
o IR, há uma enorme maioria para quem a palavra “devassa” não significa muita coisa. Em outras palavras, para quem trabalha honestamente e ganha seu salário a duras penas, e ainda paga o IR no fim do ano, ou recebe restituição, a palavra “devassa” ou mesmo “quebra de sigilo” não tem nem de longe o significado terrível e de desmoronamento do Estado que a grande mídia quer dar. No máximo pode significar uma dor de cabeça igual a de saber que seu documento foi clonado. Nada agradável, porém também nada que me faça achar que o Estado brasileiro de repente está desmoronando.

Isso porque para essa maioria, não há o que ser devassado. Querem ver meu IR? Sem problemas: vai aparecer lá que dou aulas em duas faculdades, que faço uma ou outra palestra, e que pago uma fortuna de IR no fim do ano por ter duas fontes de pagamento. Algum problema em devassar-me? Nenhum, salvo eventualmente algum constrangimento menor, quanto à privacidade de saberem meus bens, mas nada de muito significativo.

Ou seja, o discurso da “vida devassada” que a grande mídia está usando é de um elitismo sem tamanho. E por isso não pega também nem na classe média que paga IR.

Quem tem tanto medo de ter a vida fiscal “devassada” é certamente quem tem muito, mas muito a esconder. Quem tem muito dinheiro, quem declara bens incompatíveis com o estilo de vida pública que leva, e assim por diante. Ou seja, a elite da elite. Só para eles ter a “vida
devassada” pode ter esse aspecto tão aterrorizante.

Acho até que boa parte da classe média deve inclusive olhar com certa ironia e um pouco de curiosidade perversa a possibilidade de saber quais as eventuais falcatruas que os famosos podem ter feito, e que tanto os fazem temer em ter as contas devassadas. Incluindo-se aí a filha do Serra.

João Whitaker
Arquiteto e Urbanista

Mais uma manchete da Folha

Pra quem não sabe que agosto foi o mês mais seco do ano essa manchete imbecil pode até servir de desculpa, caso haja muitos pontos de alagamento na cidade de São Paulo. Assim a Folha mais uma vez presta seu trabalho de contribuição às campanhas demotucanas. E assim num futuro governo demotucano, fica garantida aquela verba do governo para comprar milhares de assinaturas da folha sem licitação.



A porcaria toda está aqui.

domingo, 5 de setembro de 2010

Jornalismo de campanha

Apesar da lei ter sido criada e sancionada no governo FHC, a culpa por ela causar distorções é de Dilma.

O lixo jornalístico foi pinçado daqui.

José Serra, os porquinhos e a matemática.

Esses videos mostram como se faz necessário a saída do sapo barbudo analfabeto e ignorante, para a entrada de alguém culto e versado em todos os assuntos.

Arquivo do blog

Contador de visita

Não é novela mas se quiser seguir fique a vontade