Tudo junto e misturado

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ficha Limpa

Ontem (29/09/09) foi enviado ao congresso nacional, um projeto de lei de iniciativa popular que colheu um milhão e trezentas mil assinaturas, que viza impedir que políticos condenados na justiça (mesmo em primeira instância) disputem eleição.
Que bom seria. Por que seria? Porque não será.
Louvável o esforço do MCCE (movimento de combate a corrupção eleitoral) que mobilizou muita gente e despendeu muito esforço na coleta das assinaturas, mas infelizmente o projeto para ser aprovado terá que seguir os trâmites legais, ou seja, ser aprovado no congresso e no senado para depois sofrer sanção presidencial.
É sonhar demais esperar que deputados e senadores transformem em lei um projeto que só a eles não interessa, afinal, quem são, senão eles, os que serão punidos, quem são os que mesmo com processos na justiça, soltam fogos comemorando a escolha do povo.
No final das contas se aprovado, esse projeto estará totalmente descaracterizado de tantas emendas parlamentares que sofrerá, ficará mais ou menos assim: só não poderá concorrer às eleições, os condenados em última instância por matarem a mãe ou estuprarem a irmã, mas poderão concorrer normalmente, os que forem pegos por desvios de verbas públicas, improbidade administrativa e má gestão da coisa pública.
E agora fica a pergunta que não quer calar. Qual presidente sancionará essa Lei? O Lula, o próximo, ou quem vencer em 2014?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Por que a mídia não fala?

Info
Revista do Brasil - Edição 17 Política

O valerioduto do PSDB
O julgamento do STF no caso do “mensalão” pode não ter sido político, mas o da mídia é. Agora que a origem do valerioduto está chegando ao Supremo, a mãe de todos os escândalos é tratada como mensalão “mineiro”, e não tucano

Por: Bernardo Kucinski

Depois de acolher a maioria das denúncias do procurador-geral da República no caso do “mensalão”, é inevitável que o Supremo Tribunal Federal (STF) também aceite as denúncias contra os envolvidos no “escândalo do valerioduto”, incluindo altas figuras do PSDB, como o senador Eduardo Azeredo, ex-presidente do partido, e o governador de Minas, Aécio Neves.

Foi na campanha de Azeredo ao governo de Minas em 1998 que Marcos Valério criou o engenhoso esquema de camuflar com empréstimos bancários as doações de caixa dois de empreiteiras, assim como dinheiro desviado de contratos de publicidade de órgãos públicos. Canalizados para sua empresa, a SMP&B, esses recursos pagaram a caríssima campanha do PSDB e seus aliados. Quatro anos depois, Marcos Valério proporia o mesmo esquema à coalizão PT-PL para financiar a campanha de 2002.

O mensalão foi um filhote do valerioduto, esse sim a mãe de todos os escândalos, tanto pela ordem dos acontecimentos quanto pela sua dimensão. Por um dos documentos apreendidos pela Polícia Federal, 150 políticos podem ter sido beneficiados pelo valerioduto, entre os quais 82 deputados federais ou estaduais. É certo que o indiciamento atingirá a casa das dezenas. O inquérito estima que a campanha de Azeredo tenha chegado a 100 milhões de reais. Os empréstimos de fachada dos bancos somaram 28,5 milhões. Mas seu comitê só registrou oficialmente 8,55 milhões.

Alguns juristas dizem que a independência demonstrada pelos juízes no caso do mensalão foi um marco na evolução da democracia. Por isso, fica difícil agora para o STF recuar aos velhos tempos em que se submetia docilmente à ditadura militar e à violência dos pacotes econômicos. Por exemplo, nunca julgou o seqüestro da poupança pelo governo Collor. O STF sinalizou que a “República e suas instituições já não toleram costumes frouxos”, avaliou o jornalista Luiz Martins.

A imprensa admite que o Supremo nunca foi tão independente, embora não queira dar esse mérito ao presidente Lula, que nomeou a maioria dos atuais ministros. Também a Polícia Federal e o Ministério Público nunca foram tão independentes, na opinião do jurista Fábio Konder Comparato. O voto do relator Joaquim Barbosa, contundente, foi elogiado pela mídia e seu autor, o primeiro ministro negro do Supremo, nomeado por Lula por esse motivo emblemático, exaltado em todas as capas de revistas.

Houve deslizes, alguns deles sérios, mas eles não alteram o caráter histórico do julgamento. O principal foi a devassa dos diálogos privados entre dois juízes, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski, pelo fotógrafo de O Globo. Cármen Lúcia decidiu renunciar e só voltou atrás ao ser advertida de que a repercussão seria ainda mais danosa para todos. Juristas e advogados também acham que juízes não devem dar entrevistas à imprensa. E quase todos os ministros do Supremo deram entrevistas e continuam dando, assim como o procurador-geral.



Faca no pescoço
O ministro Marco Aurélio de Mello, por exemplo, disse aos jornalistas que o banqueiro Salvatore Cacciola tinha o “direito natural” de fugir à Justiça. Com apoio da cúpula do Banco Central do governo Fernando Henrique, o banqueiro deu um prejuízo direto de 1,6 bilhão de reais ao povo brasileiro, ou mais de 3 bilhões de reais no câmbio da época, algo como 30 vezes os valores do valerioduto de Minas ou do mensalão. Fugiu graças a um habeas corpus concedido pelo próprio Marco Aurélio. Por isso, já há propostas para incluir novas tipificações de crimes de imprensa na Lei de Imprensa, assim como para proibir juízes de dar entrevistas, no novo código de ética que está sendo discutido pelo Conselho Superior da Magistratura.


Algumas críticas ao julgamento – por exemplo, a da fragilidade das provas – fazem parte do jogo natural de defesa, o chamado “direito de espernear”. É tradição na Justiça, na fase de inquérito, o benefício da dúvida ficar com a promotoria: “in dubio pro societatis”, diz o latim dos advogados. Já no julgamento, propriamente, o beneficio da dúvida é do réu. “In dubio pro reo.” Por isso, um dos juízes, ao votar pela aceitação da denúncia contra Gushiken, admitiu que se fosse o julgamento final do caso ele não teria dúvidas em inocentá-lo.

Sentindo-se “furada” por O Globo, a Folha de S.Paulo deu primeira página a meros fragmentos de uma fala de Lewandowski ao telefone ouvida clandestinamente por uma repórter do jornal, entre eles a frase que ficaria famosa: “O Supremo votou com a faca no pescoço”. A expressão impressionou tanto que entrou no vocabulário da política. Até que ponto essa pressão da mídia influi nos votos? Certamente, no caso-limite de Gushiken, em que a denúncia foi aceita por apenas um voto de diferença, o clima de pressão foi decisivo.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, amigo de vários juízes do Supremo, revelou em entrevista à Folha que muitos juízes lhe disseram ter sido “difícil suportar” a pressão. O cientista político Fábio Wanderley Reis considerou a pressão “indesejável”, já que a instituição deveria julgar de modo imparcial.



Moralismo de classe
Em muitos julgamentos promotores usam o argumento do “clamor popular” para pedir rigor nas sentenças. Mas estaríamos mesmo frente a um “clamor popular”? Fábio Konder Comparato diz que não. Que houve, isso sim, uma “grande vocalização da classe média, que é retrógrada”. Diz que juízes são muito sensíveis a essa vocalização porque eles próprios se originam das classes médias. E por que a classe média? Trata-se de uma classe muito sensível ao discurso moralista, como já apontou nossa sociologia. Tanto assim que um discurso puramente moralista mobilizou a classe média para a Marcha da Família com Deus e pela Propriedade, que abriu caminho ao golpe de 1964. O cientista político Amaury de Souza apontou outro fator para a grita da classe média, em entrevista ao Estadão: “O Brasil melhorou nos últimos 15 anos, mas não há percepção disso pela classe média”, que se sente explorada, pagando mais impostos.

Se há convergência na avaliação do julgamento pelo Supremo, predominam as críticas ao desempenho da mídia, apesar da contribuição dos jornalistas nas investigações e ao mostrarem que, por trás da falsa solenidade do Tribunal, os juízes são pessoas comuns que brigam entre si e têm medo da opinião pública.

Belluzzo diz que a “mídia simplificou demais: “Ficou uma coisa de bandidos contra mocinhos”. A mídia não contextualizou de forma adequada o episódio do mensalão, deixando-se pautar e usar descaradamente pela oposição. Por exemplo, endossou o truque de chamar o caixa dois da coalizão PT-PL de “mensalão”, para diferenciá-lo do valerioduto, quando é óbvio que deputados do PT não precisavam de mesada para votar pelo governo.

Como reconhece Maria Inês Nassif, no jornal Valor Econômico, por quase dois anos a oposição tratou o caso do mensalão como uma anomalia introduzida pelo PT no sistema político, quando na verdade Marcos Valério era simplesmente um profissional do ramo da lavagem de dinheiro em montagem de caixa dois para campanhas eleitorais, um profissional que não tem partido. Em vez de se debruçar sobre as razões pelas quais esses esquemas passaram a existir, e apoiar uma reforma política ampla, a mídia, a reboque da oposição, limitou-se a demonizar o PT.

Luiz Gonzaga Belluzzo também adverte que a mídia deveria evitar se colocar na posição de juiz. “Existe uma instituição encarregada de julgar”, diz o professor da Unicamp, elogiando o desempenho do Supremo. No Observatório da Imprensa, nosso principal órgão de acompanhamento crítico da imprensa, o jornalista Luiz Martins diz que cada vez mais os jornalistas investigativos dão preferência ao “prato pronto” que lhes é oferecido ora pela polícia, ora pelo Ministério Público: “A imprensa funcionaria então como uma espécie de tribunal ad hoc, capaz de acusar e julgar com extrema rapidez, sendo a execração pública uma forma de julgamento, ainda que, por vezes, à custa de inocentes”.

Luiz Martins analisou longamente a tese da faca no pescoço e disse que, embora publicidade opressiva seja um conceito ainda não incorporado pela mídia, já freqüenta o jargão do mundo jurídico: “Significa exatamente a falta de condições de deliberação e julgamentos tranqüilos, sem qualquer coação, sem qualquer faca no pescoço. Significa também o linchamento midiático, vexaminoso e precipitado, tão odioso quanto provas obtidas sob tortura e que depois de restabelecidas as condições normais até anulam um processo”.

O fato é que a mídia já condenara os líderes petistas e se sentiria derrotada se o STF não aceitasse os pedidos de indiciamento. Foi como se tivesse se tornado uma das partes do processo. Uma dimensão dramática do episódio, que tem a ver apenas indiretamente com a mídia, foi a profundidade do mal-estar provocado pelas denúncias do mensalão em petistas e simpatizantes. O partido tinha de fato construído uma imagem de instituição dotada de uma ética superior. Mesmo eleitores que não simpatizavam com o PT admiravam suas figuras emblemáticas, como Genoino, Mercadante, Suplicy, Marina Silva, Olívio Dutra. Tudo isso acabou a partir das denúncias de Roberto Jefferson, deixando um sentimento de grande vazio nas pessoas. Um sentimento de perda coletiva.

É consenso entre analistas políticos que calou fundo a hipocrisia dos dirigentes petistas ao proclamarem que “O PT não rouba nem deixa roubar”, enquanto por baixo do pano adotavam métodos ilegais de financiamento de campanha dos tucanos. Enganar o eleitor foi mais danoso que o próprio fato de usar caixa dois, o qual o brasileiro enfim parece tolerar. É essa dimensão que talvez escape aos dirigentes do PT quando alegam que ainda é o partido mais ético. Tecnicamente pode ser verdade. Mas não responde ao sentimento de decepção.

Curiosamente, a mídia foi ainda mais hipócrita, as descer a lenha no PT, sem mencionar, durante esses dois anos, o valerioduto de Azeredo. Também é indiscutível que a mídia investiu pesado na ampliação das denúncias, na criminalização do PT e na criação de um clima de suspeição generalizada contra todos os petistas. Durante a cobertura das CPIs, era comum as manchetes dos jornais reproduzirem ao pé da letra as falas acusatórias da oposição, esta ainda mais hipócrita.

O dano à imagem do partido não será revertido. Essa é a tragédia da condenação pela mídia. É uma condenação que gruda na imagem das pessoas como uma mancha de caqui em roupa branca. Não há alvejante que tire. Se daqui a dois anos o processo chegar a seu final e maioria dos réus for absolvida, a mídia dirá: “Acabou em pizza”.

O julgamento do Supremo pode não ter sido político, no sentido estrito. Mas o da mídia só é político. Agora que o valerioduto dos tucanos está chegando ao STF, qual o comportamento da mídia? Foram perguntar ao Fernando Henrique se ele sabia. Não. Falam de valerioduto tucano? Não. Falam em valerioduto de Minas. E foram pinçar no relatório da Promotoria a única referência a um ministro de Lula, Mares Guia, jogando isso nas manchetes, para de novo implicar o PT. Omitem, inclusive, que esse político era do PTB na época em que Marcos Valério e o PSDB criaram o valerioduto.

Bernardo Kucinski é professor titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP. Foi produtor e locutor no serviço brasileiro da BBC de Londres e assistente de direção na televisão BBC. É autor de vários livros sobre jornalismo

Pinçado de:
http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/17/o-valerioduto-do-psdb

Como tirar o título de eleitor

Título Net - Informativo •
O Título Net foi criado para o cidadão iniciar o requerimento, pela internet, de alistamento, transferência ou revisão de dados cadastrais.
•O requerimento deverá ser concluído em uma unidade de atendimento da Justiça Eleitoral em até cinco dias corridos, local onde você receberá o título eleitoral.
•O requerente deverá apresentar documento de identificação e comprovante de residência; o cidadão do sexo masculino, a partir de 30 de junho do ano que completar dezoito anos, deverá apresentar também comprovante de quitação militar.
•Algumas multas eleitorais poderão ser impressas e pagas previamente, devendo o requerente apresentar o comprovante de pagamento na unidade de atendimento da Justiça Eleitoral. O valor da multa poderá ser revisto pelo Juiz Eleitoral.
•A existência de restrições cadastrais impedirá a utilização do serviço, devendo o eleitor procurar diretamente uma unidade de atendimento da Justiça Eleitoral.

IMPORTANTE:
•A SOLICITAÇÃO NÃO GERA QUITAÇÃO ELEITORAL: O protocolo emitido não comprova a regularidade da inscrição ou a quitação eleitoral, e se destina apenas a informar o número e a data da solicitação para proporcionar eventual atendimento diferenciado na unidade de atendimento da Justiça Eleitoral.
•COMPARECIMENTO PESSOAL: Caso o eleitor nao compareça à unidade de atendimento da Justiça Eleitoral para concluir a operação, no prazo de cinco dias corridos, o requerimento será invalidado.

Clique aqui e vá para a página do superior tribunal eleitoral.

domingo, 27 de setembro de 2009

Histórica Encruzilhada

Do blog cidadania - Por Eduardo Guimarães

Exulto de muitas formas por estar vivendo em uma época em que a humanidade chegou a uma encruzilhada de caráter histórico que pode mantê-la no atraso em que foi mantida durante o século XX ou impulsioná-la rumo a uma era de paz e prosperidade sem precedentes.

Essa era poderia ter começado no século passado não fosse o mundo pós Revolução Industrial ter se atirado numa competição insana pelo capital e num hedonismo degenerado. Tais escolhas humanas restringiram os benefícios tecnológicos espantosos que o homem pôde extrair do salto único no conhecimento que havia dado até então.

A humanidade produziu conhecimento para acabar com todas as suas misérias. Hoje, há condições tecnológicas e econômicas para acabar com o sofrimento atroz que vitima parcela absurdamente ampla de nossa espécie.

Só não há vontade, pois persiste a crença de que é possível manter a maioria de nós no século XIX enquanto diminutos contingentes sociais e étnicos desfrutam das delícias do mundo moderno.

O capitalismo atingiu seu grau máximo de perversidade e insensibilidade ao produzir o neoliberalismo e seu desprezo definitivo pelo gênero humano, deformidade intelectual e moral que o embasa e fundamenta.

O neoliberalismo de Ronald Reagan e Margareth Tatcher vendeu ao mundo que era preciso que os pobres sofressem para que atingissem o paraíso capitalista. Viveriam mal por conta de efeitos retardados de um socialismo que parcela ínfima da humanidade havia experimentado de forma incompleta e deformada por injunções políticas. A humanidade caiu no conto dos únicos (e poucos) que em alguma medida seriam prejudicados por experiências socialistas.

A ausência de experiência socialista, pois, é o que impede que a humanidade abrace tal experiência, pois os exemplos de que a doutrina socialista pode ser exitosa só serão produzidos se for tão experimentada quanto foi o capitalismo, o que os detentores do capital jamais permitiram.

A crise econômica internacional que se abateu sobre a humanidade – e muito mais justamente sobre aqueles que acreditavam que eram os beneficiários daquele verdadeiro sistema de organização social deformado – estabeleceu uma espécie de interlúdio que essa mesma humanidade poderá destinar à reflexão.

Outras janelas de oportunidades como esta que se apresenta neste momento surgiram não apenas para o Brasil, mas para a humanidade. Esta, porém, não as aproveitou, enganada por aparatos de propaganda dos interesses das aristocracias e por toda força militar e repressiva que o dinheiro podia comprar.

Politicamente, apesar da esmagadora força econômica e do poder avassalador de comunicação das oligarquias raciais, sociais e regionais que dominam o mundo, governos populares espalham-se por seus quatro cantos.

O processo está em curso também na América Latina, região na qual grupos de comunicação das três Américas, controlados pelos mesmos grupos sociais, étnicos e políticos que sempre deram as cartas, declararam guerra àqueles governantes que vêm promovendo distribuição de renda e redução da pobreza como nenhum de seus antecessores. Mas a guerra já não é tão desigual e não está sendo fácil vencê-los.

No passado, quando não havia jeito, os Estados Unidos vinham em socorro das elites regionais organizando e até influindo em golpes de Estado contra governos populares com projetos distributivistas de renda e de oportunidades. O modelo da nova comunidade internacional, porém, já não aceita mais as quebras institucionais em países “rebeldes”.

É disso que se trata, por exemplo, nessa crise em Honduras. As oligarquias às quais me refiro, valendo-se do velho método de seus aparatos de comunicação e de seus brucutus, já começam a falhar. Não que nunca tivessem falhado, mas agora falham em proporções continentais ou ao menos impondo um preço ao golpismo.

O golpe em Honduras está tendo um alto preço para o país, para a economia e, inclusive, para os mais ricos, que, obviamente, estão percebendo que a ralé oprimida agora pode reagir, a despeito de todo o seu aparato militar, devido à não aceitação, pela comunidade internacional, de rupturas institucionais.

É questão de tempo até que o isolamento dos golpistas hondurenhos surta efeito. Se se comportarem e não fizerem nenhuma tolice como invadir a embaixada do Brasil, continuarão sangrando até que o apoio a eles reflua ao nível em que correrão risco de irem parar num cárcere ou mesmo no cemitério.

Tal equação comporta e exige considerarmos a chegada de Barack Obama ao poder e a impotência que foi se apoderando daquela mentalidade degenerada dos poderosos americanos, que numa exibição de irracionalidade ousaram pôr alguém como George Walker Bush no controle do poder entre os poderes durante o acender das luzes do século XXI.

É óbvio que Obama ainda não fez tudo que se gostaria – e, provavelmente, irá demorar muito a fazer, se é que terá poder para fazer algum dia. Afinal, governar um país esmagado pela maior crise econômica em quase um século reduz bastante o poder de um governante. Mas o mundo reage à crise...

Nesse mundo novo que se desenha, uma grande democracia como a brasileira poderá assumir posição de liderança jamais imaginada para um país como o nosso apesar de previsões da segunda metade do século passado de que ainda seriamos o “país do futuro”.

Enfim, esse futuro chegou e o que a humanidade encontra nele é uma encruzilhada. Se a tênue ruptura na hegemonia das comunicações (a internet) for suficiente, é possível que desta vez tomemos o atalho certo.

O homem pode começar a trilhar o caminho para uma era de paz e prosperidade jamais sonhada. É possível. Acredito piamente que é possível porque dar esse passo de gigante só depende de cada um nós simplesmente também acreditar que pode ser dado.

Pinçado de:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/

The Pretenders Creep



Letra
Creep
When you were here before,
Couldn't look you in the eye.
You're just like an angel,
Your skin makes me cry.
You float like a feather,
In a beautiful world
I wish I was special,
You're so fucking special.

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

I don't care if it hurts,
I wanna have control.
I want a perfect body,
I want a perfect soul.
I want you to notice,
When I'm not around.
You're so fucking special,
I wish I was special.

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here

She's running out again,
She's running,
She run, run, run, run, run.

Whatever makes you happy,
Whatever you want.
You're so fucking special,
I wish I was special,

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here,
I don't belong here.


Tradução
Creep
Aberração

Quando você esteve aqui antes
Nem pude te olhar nos olhos
Você é como um anjo
Sua pele me faz chorar
Você flutua como pluma
Num mundo perfeito
Eu queria ser especial
Você é tão especial

Mas eu sou uma aberração, um esquisito
Que diabos é que eu estou fazendo aqui
Este não é meu lugar

Não me importa se vai doer
Eu quero ter o controle (da situação)
Quero um corpo perfeito
Uma alma perfeita
Quero que você perceba
Quando eu não estou por perto
Porra, você é tão especial
Eu queria ser especial

Mas eu sou uma aberração, um esquisito
Que diabos é que eu estou fazendo aqui
Este não é meu lugar

Ela está indo embora
Esta fugindo
Ela se vai, se vai, ...

O que você quiser para te fazer feliz
O que você quiser
Você é tão especial
Eu queria ser especial

Mas eu sou uma aberração, um esquisito
Que diabos é que eu estou fazendo aqui
Este não é meu lugar
Este não é meu lugar


OBS:
Creep é uma giria
Realmente Creep significa arrastamento.
Na giria é: pessoa que causa arrepios.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Prestação de serviço à democracia.

A Miriam Leitão em seu blog postou o video com a sua (e do Alexandre Garcia) opinião a respeito do abrigo cedido pelo Brasil ao Presidente deposto através de golpe. Democraticamente havia espaço para comentários a respeito da reportagem, o que sem titubiar fí-lo, indo meu comentário para moderação. Para minha surpresa ao voltar a página para ver se haviam mais comentários descobri que o post continuava sem comentários, pelo jeito a democrácia é algo que as organizações Globo só respeita se estiver alinhado a sua linha de conduta e pensamento.
Mas não tem problema não, como já estou acostumado e cascudo com esse tipo de atitude, sigo em frente e reproduzo aqui nesse humilde espaço a reportagem e o video do PIG para que todos, dentro dos níveis aceitáveis de respeitabilidade possam comentar.
Segue abaixo o meu comentário que não passou pelo moderador, deve ter sido muito ofensivo na avaliação deles.

"Você e o Alexandre Garcia estão de brincadeira, se querem defender o golpe o façam, mas não venham dizer que cláusulas pétreas foram desrespeitadas, pois numa democracia não existe cláusula pétrea que impeça o povo de expressar sua vontade e era essa a proposta, que o povo dissesse sim ou não para uma assembléia legislativa, portanto foi um golpe sim, usando as instituições, mais golpe, sujo e vil, de quem não respeita o povo que é quem verdadeiramente manda numa democracia".

E agora a reportagem, não deixem de comentar.

Miriam Leitão e Alexandre Garcia comentam crise diplomática

Miriam Leitão e Alexandre Garcia comentam a crise diplomática entre Brasil e Honduras, depois que o presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, retornou ao país e conseguiu asilo na embaixada brasileira.

Veja, em vídeo, o comentários dos colunistas.

Miriam Leitão destaca que o asilo político exige que a pessoa que está sob asilo não tenha nenhuma atividade política. “Quando ele (Manoel Zelayza) usa a palavra abrigo e o Brasil também usa a palavra abrigo, está dando a ele a oportundidade de se comportar dessa forma ambígua, que é tranformar a embaixada no esritório político, e isso não pode acontecer”, afirma.

Alexandre Garcia destaca que o apoio brasileiro a Zelaya é uma grande ‘batata quente’. “Ele não quer ser exilado, não quer ser refugiado, ele quer ser apenas um hóspede que usa a casa do anfitrião para fazer comício”, diz.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Mais uma cruzadas Tucanas

Num oferecimento do blog tia carmela
http://byebyeserra.wordpress.com/
Mais uma cruzadas tucanas para você se divertir
clique aqui e vá direto para as cruzadas.

OS ESCRITOS SECRETOS ACHADOS NO LIXO DO ZERO HORA

Do blog cloaca news, uma denúncia de como é feito jornalismo pelos grandes comglomerados de notícias e o uso que fazem da liberdade de imprensa, distorcendo os fatos ao seu bel-prazer.






No dia em que o tablóide gaúcho Zero Hora chegava às bancas com uma espetacular matéria acerca de um "novo caderno dos sem-terra", com anotações secretas que revelariam as "estratégias" do MST, a Unidade Roto Rooter de Reportagem deste Cloaca News passava pela rua lateral à sede daquele diário - curiosamente, Rua Zero Hora - quando teve sua atenção chamada por um enorme latão, cheio de embalagens gordurosas de pizza e papéis picados. Estacionamos nosso Cloacomóvel diante do recipiente e, burlando o aparato de segurança daquela organização, recolhemos a esmo o que foi possível. De volta à nossa redação, pudemos, enfim, avaliar todo o papelório. Entre o material recolhido estava um caderno escolar, de capa alaranjada, com 26 páginas escritas à mão, contendo anotações do que parece ser o resultado de uma reunião de pauta daquela gazeta, ocorrida dias antes.
Sob o título "Linhas Gerais", podemos presumir que tratam-se de diretrizes editoriais que valem "p/ ZH, DSM e Pioneiro", ou seja, Zero Hora, Diário de Santa Maria e O Pioneiro, de Caxias do Sul, os três principais veículos impressos do Grupo RBS no Rio Grande do Sul.
Alguns nomes estão grafados por iniciais, como YRC, por exemplo. Coincidentemente, as três letrinhas formam as iniciais da tucana Yeda Rorato Crusius. Há também referência a um certo "P.S.", em que se cobra dele uma "carta bimestral". Verificando o histórico epistolar do colunista Paulo Santana, que vira e mexe troca correspondência com YRC, imaginamos ser este o personagem da anotação.

CLIQUE PARA AMPLIAR

Nesta outra imagem (abaixo), sugere-se que "LM" repercuta "RO" e "vice-versa". O tópico trata de uma eventual "sinergia" entre os vários veículos do grupo. "LM" seria Lasier Martins, da Rádio Gaúcha e do Jornal do Almoço, na RBS TV. "RO", ao que tudo indica, é a colunista joão-ninguém de ZH, Rosane de Oliveira.
Outra sigla é "TG", supostamente, o Ministro da Justiça e pré-candidato ao governo estadual Tarso Genro. Pelas instruções editoriais, deve ser atribuída a ele toda a responsabilidade por qualquer "vazamento". Não nos parece, nesse caso, que estejam tratando de problemas hidráulicos.


Bastante elucidativa, igualmente, a página dedicada à cobertura do MST. Amplie.



Tanto quanto o caderno "jogado em uma lata de lixo no estacionamento do Incra", apresentado por Zero Hora, que "permite que a sociedade conheça o que o movimento [MST] pensa sobre assuntos estratégicos", este odorante achado do Cloaca News permite que a sociedade conheça o tipo de jornalismo praticado pela corporação hegemônica, sob o báculo da famiglia Sirotsky, com a cumplicidade de sua devotada matilha.

Pinçado de:
http://cloacanews.blogspot.com/2009/09/os-escritos-secretos-achados-no-lixo-de.html

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Claudia Ohana

É primavera te amo, é primavera te amo meu amor
trago essa rosa para lhe dar...
A chegada da primavera me deixou nostálgico, e lembrei-me de quando era jovem e louco pela Claudia Ohana. Quase pirei quando ela pousou pela primeira vez na playboy com aquela cabeleira...
E a pouco tempo com bem mais idade, mas ainda muito enxuta, ela fez outro belo ensaio fotográfico na playboy, e em homenagem a essa musa de minha juventude fiz esse video com as fotos desse ensaio, se quiser baixar, clique aqui, mas se preferir a Bárbara borges, clique aqui.

escrito por Sandro Stahl

Entrevista de Ciro Gomes ao Canal Livre

Não deixem de ver essa exelente entrevista de Ciro Gomes ao Canal Livre no dia 21/09/09

Parte1

Parte2

Parte3

Parte4

Parte5

Parte6

O destino do mundo está em Honduras

Do blog óleo do diabo - Por Miguel do Rosário

Honduras voltou a chamar atenção da mídia internacional. E por uma razão. Zelaya voltou ao país, com ajuda do governo brasileiro, e agora se encontra na embaixada brasileira de Tegucigalpa. O que ocorre hoje em Honduras é, de longe, o fato político e geopolítico mais importante nas Américas. Todos os elementos que caracterizam as lutas políticas nos países latino-americanos encontram-se em Honduras em estado bruto e radicalizado. Imprensa e elite associadas, mafiosamente, em atitude golpista. Povo acuado e desorganizado, de outro. Políticos no meio, ao sabor do vento. Um presidente sendo empurrado cada vez mais para a esquerda.

A história é uma mulher triste e chorando, mas sempre linda. O golpe em Honduras desmoralizou a direita, e pôs em cheque a honestidade da Sociedade Interamericana de Imprensa e demais organizações sindicais midiáticas do continente. O que a imprensa fez e está fazendo em Honduras é tortura psicológica inconcebível. Acompanho, no RSS aí do lado, dois blogs hondurenhos, de luta antigolpista, os quais também estão no Twitter, e o protesto principal que vejo por lá é a desonestidade sem limite da mídia nacional, que procura distorcer absolutamente tudo que acontece no país.

Como é um país pobre, com baixo uso de internet, a influência da mídia convencional é muito forte. A mídia hondurenha criou uma realidade virtual, com apoio dos intelectuais midiáticos (as mesmas repugnantes espécies que temos por aqui), que justificam o golpe juridica e politicamente.

Uma das coisas que realmente me impressionam foi a maneira repentina e inexplicável como Honduras sumiu da pauta midiática por várias semanas. Depois da cobertura dos primeiros dias, a mídia nacional iniciou uma cobertura cada vez mais hesitante. Ontem, ouvi o Boris Casoy falar em governo "de fato" em Honduras, substituindo o termo que havia se generalizado antes, "governo golpista".

A verdade é que houve uma campanha da extrema-direita no Brasil, liderada por Reinaldo Azevedo, editorialista da revista Veja, para que a cobertura do golpe em Honduras fosse radicalmente modificada. Como não podia inverter a posição editorial que, embora hesitantemente e pressionada pela reação internacional, havia assumido de início, a mídia brasileira optou pelo silêncio sepulcral. Semanas e semanas sem uma linha, uma notinha, uma palavra sequer sobre Honduras.

Agora, repito, o fato político impõe-se, derrubando o pacto de silêncio, porque o Brasil abrigou Zelaya na embaixada brasileira. Reações negativas midiáticas começam a pipocar, como a entrevista com o embaixador Rubens Barbosa, que é incompetente (patrocinou o plano de retenção de café em 2001, que deu prejuízo superior a 400 milhões de dólares ao Brasil), invejoso e colonizado, quase afirmando que o Zelaya deveria estar na embaixada americana e não na brasileira; e o Estadão dando manchete alarmista sobre os riscos de "fratura social" que a volta de Zelaya traz ao país.

Pesquisadores, historiadores, jornalistas, cientistas políticos, ativistas, parlamentares, cidadãos, observem atentamente o que acontece em Honduras. O destino da democracia da América Latina reside neste pequeno e sofrido país centro-americano. O golpe vai fracassar, disso eu tenho certeza. O que devemos observar é todo o contexto político, a reação das mídias latinas ao pós-golpe. Depois que Zelaya retornar ao poder, deverá ocorrer, uma hora ou outra, um julgamento interno sobre os responsáveis por esse tenebroso atentado contra o espírito democrático das Américas. É muito pior que qualquer atentado terrorista, porque mexe com nossos traumas mais profundos. Milhões de latino-americanos que sofreram, na pele, as consequências nefastas de ditaduras militares, seguramente sentiram um horrível frio na espinha quando chegaram notícias de Tegucigalpa. Esse progressismo latino, forjado nas lutas sangrentas anti-totalitárias, revelou-se na condenação veemente e absoluta, pela classe política de todo o continente. O golpe em Honduras pendurou-se, então, no apoio midiático interno, no silêncio dos sindicatos internacionais de imprensa, além da participação histérica de figuras isoladas, mas barulhentas, da extrema-direita no continente, do Brasil aos Estados Unidos.

*

Um leitor pediu-me que falasse alguma coisa sobre a entrevista de Ciro Gomes à rede Bandeirantes, no último domingo. Pois é, por coincidência, eu assisti. Tenho a dizer o seguinte: valeu Ciro! A entrevista lavou-me a alma. Assisti-a pontuando de palmas e gritos de entusiasmo. Ciro Gomes não fugiu de nenhum tema político. Ao contrário, trouxe-os à baila: Chávez, corrupção, mensalão, Lula, mídia, golpismo midiático, golpismo de setores da elite. Não gaguejou uma vez. Não tergiversou. Mais uma vez cito aquela moça triste, sempre chorando, e contudo tão absurdamente linda, a História. O radicalismo midiático produziu um fenômeno interessante: a esquerda brasileira, mesmo estando no poder, tem à sua disposição um eficaz e necessário discurso de oposição. Isso é ótimo, porque a esquerda pode bater em seus adversários por todos os lados. Bate no Congresso, onde tem maioria; bate no Executivo, onde tem o controle, através de Lula, Dilma Roussef e Tarso Genro; e bate na mídia, através do debate político que começa a esquentar agora; e o melhor, bate aqui na blogosfera, onde nossa diversão, nos últimos anos, não tem sido outra. Eu quero mais é que a direita se dane. A direita já matou e torturou centenas de milhões de latino-americanos desde o início da colonização.

Quando analisamos a história das civilizações, observamos que sempre houve uma dialética política. Roma antiga experimentou lutas acirradas entre as forças populares e conservadoras, e ambas obtiveram vitórias memoráveis. Roma não apenas a sociedade dos patrícios e dos escravos, foi também onde os plebeus exerceram o poder através de seus tribunos sagrados. Os plebeus romanos experimentaram diversos momentos emocionantes de vitória, com Mario, com os irmãos Graco e, enfim, com Júlio César. Da Grécia, então, nem se fala, porque foi uma civilização notoriamente de esquerda, democrática, em oposição à Ásia conservadora, mística e totalitária.

Na Europa, tivemos a revolução francesa e as repercussões ideológicas que até hoje se observam em todo o continente. Nos EUA, a revolução americana da independência, um movimento de cunho fortemente progressista e, sobretudo, presidentes como Roosevelt, além da própria continuidade democrática, que permitiu à cultura se organizar de maneira que o cinema e a literatura norte-americanos ganhou uma sólida musculatura ideológica, com capacidade de resistir e combater os governos mais odiosamente conservadores.

*

Enfim, a América Latina precisa aprender a praticar o debate ideológico com a ferocidade e a determinação que ele merece, por constituir a base da civilização e da cultura. No Brasil, o processo de Anistia não pode significar a distorção da História. Nossas crianças e adolescentes devem saber que forças apoiaram o golpe de Estado de 1964, e quais foram os métodos usados: moralismo hipócrita, mentira sistemática, terrorismo ideológico, denúncias de corrupção seletivas. Por exemplo, o golpe militar foi patrocinado com desvio de recursos públicos do Adhemar de Barros. Esses desvios não eram denunciados pela imprensa nacional, que focava suas denúncias na esquerda, como faz até hoje.

*

Todos os assuntos abordados no post de hoje foram abordados na entrevista de Ciro Gomes à Bandeirantes, e por aí podemos ver como um debate político franco e corajoso será útil para esclarecer a nação brasileira sobre sua história e seu destino. A participação de Ciro na campanha eleitoral de 2010, seja na presidencial, seja para o Estado de São Paulo, será valiosa, porque ele sentiu de onde vem o cheiro ruim que infesta a política nacional e tem a coragem de dar nome aos bois. Sua presença é particularmente importante em função da atitude frágil de Marina Silva. A força de Ciro Gomes, pode-se notar, é física, concreta. Para enfrentar os setores golpistas da imprensa e da elite, precisa-se de uma coragem física. É triste que tantos parlamentares do PT, por exemplo, deixem tanto a desejar nesse quesito; mesmo apanhando feio no lombo não se resolvem a assumir uma postura mais combativa e orgulhosa, que é o que os brasileiros desejam. Sempre que um parlamentar abaixa a cabeça para a mídia no debate político, os milhões de brasileiros que não querem a volta da direita ao poder, e intuem, com razão, que a vitória, ou derrota, se contrói nessas pequenas lutas cotidianas, sentem-se impotentes, humilhados e, por fim, revoltados e indignados. A humilhação, convertida em revolta, torna-se uma força. A mídia anseia continuamente em produzir um exército de indignados, mas é frustrada pela ação política concreta do governo Lula, de um lado, e pela argumentação ideológica inovadora produzida na internet, de outro.

*

Registro também que setores importantes da Academia e da classe artística estão antenados na crescente polarização entre as forças políticas do continente americano, com uma mídia corporativa inclinando-se cada vez mais para uma postura reacionária e neoliberal, e classes políticas, pressionadas pelo voto popular, indo para o lado oposto, para ampliação do papel do Estado, adotando políticas públicas de redistribuição de renda. Debate ocorrido no Centro Cultural Banco do Brasil no último final de semana falou sobre a nova lei de mídia da Argentina.

Em todo continente, começa-se a discutir novos marcos regulatórios para a imprensa. Essa é a razão de ser da democracia: um regime político dinâmico, com parlamentares eleitos pelo povo para estarem sempre atualizando as leis aos novos tempos, às novas forças sociais que emergem. A liberdade não pertence aos proprietário de meios de comunicação. A liberdade, assim como o poder, pertence ao povo. E quando falo em povo, não refiro-me à massa ignara, e sim ao povo compreendido diacronicamente, ou seja, o povo na história, organizado, com suas vanguardas intelectuais e artísticas.

O futuro da humanidade é a união dos povos. É a criação de uma moeda única. É ser governada por organizações internacionais centralizadas, democráticas, que garantam a liberdade das nações e dos indivíduos. Mas isso é outra história. Por enquanto, o destino do mundo reside em Honduras. Prestemos atenção.

# Escrito por Miguel do Rosário #

Pinçado de:
http://oleododiabo.blogspot.com/2009/09/o-destino-do-mundo-esta-em-honduras.html

domingo, 20 de setembro de 2009

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.

Os dominadores fazem planos para dez mil anos.

O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são

Nenhuma voz se levanta além da dos que mandam

E em todos os mercados se proclama a exploração;

Isto é apenas o começo.

E entre os oprimidos muitos dizem:

Não se realizará jamais o que queremos!

O que ainda vive não diga: jamais!

O seguro não é seguro. Como está não ficará.

Quando os dominadores falarem

falarão também os dominados.

Quem se atreve a dizer: jamais?



De quem depende a continuação desse domínio?

De nós!

De quem depende a sua destruição?

Igualmente de nós.



Os caídos que se levantem!

Os que estão perdidos que lutem!

Quem reconhece a situação como pode calar-se?

Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.

Os dominadores fazem planos para dez mil anos.

O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são

Nenhuma voz se levanta além da dos que mandam

E em todos os mercados se proclama a exploração;

Isto é apenas o começo.

E entre os oprimidos muitos dizem:

Não se realizará jamais o que queremos!

O que ainda vive não diga: jamais!

O seguro não é seguro. Como está não ficará.

Quando os dominadores falarem

falarão também os dominados.

Quem se atreve a dizer: jamais?



De quem depende a continuação desse domínio?

De nós!

De quem depende a sua destruição?

Igualmente de nós.



Os caídos que se levantem!

Os que estão perdidos que lutem!

Quem reconhece a situação como pode calar-se?

Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.






Berthold Brecht

sábado, 19 de setembro de 2009

Som de primeira.

Só pra curtir, Pearl Jam-Black


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Muito barulho por nada.

Do blog leitura global Por Vinícius Wu*

Que fim levou crise “sem precedentes” da Receita Federal? Cadê a paralisação das atividades do Fisco no Brasil? Lina Vieira saiu e o mundo estava prestes a acabar. Encontrou, ou não, com Dilma? A tragicomédia produzida pela grande mídia poderia, perfeitamente, ser batizada com o mesmo título da memorável obra do grande dramaturgo inglês. Mas, ao contrário da peça de Shakespeare, não há culpados. Ao fim, restou apenas o silêncio. Nada mais.

Ora, como pôde um assunto tão “relevante” para o país desaparecer assim do noticiário?A incontornável fábrica de crises brasileira nos deve uma explicação. Talvez algum destes articulistas, que subitamente tornaram-se especialistas na área, nos ofereçam alguma resposta. Mas, enquanto nossos sábios defensores das causas da corporação da Receita não apresentam sua versão, vou arriscar duas hipóteses.

A primeira talvez seja a reveladora entrevista do “insuspeito” Everardo Maciel – ex-secretário da Receita Federal durante o governo FHC – no programa “Entre Aspas”, da Globonews. Maciel, que parece não ter motivos para encobrir qualquer obscenidade cometida pelo governo Lula, simplesmente liquidou com a tese da “politização” da Receita Federal. Para o ex-Secretário de FHC, foi Lina quem politizou a Receita. Disse, ainda – em relação ao caso da Petrobrás – que a estatal estava coberta de razão. Para Maciel, a “crise” não passou de um factóide. O programa conduzido por Mônica Waldvogel pretendia atestar a ingerência política do governo Lula sobre a Receita. Foi um verdadeiro fiasco. Os entrevistados desmentiram a tese, para desespero da nobre apresentadora. Paulo Antenor, presidente do SindiReceita, também participou e criticou duramente a gestão de Lina.

Uma outra hipótese para o sumiço da crise pode encontrar apoio na última pesquisa CNT/Sensus. Apenas 24% da população estavam “acompanhando” as noticias a respeito do suposto encontro entre Dilma e Lina. Outros 17,5% tinham ouvido falar, e 50,4% nunca tinha ouvido falar do malfadado encontro.

O fato é que esta foi apenas mais uma das inúmeras crises produzidas pela grande mídia. O interesse nacional é o que menos importa neste caso. A reação corporativista dos grupos organizados no interior da Receita já foi alvo de inúmeras críticas dos articulistas da grande imprensa. Mas como, desta vez, suas baterias estavam voltadas contra o governo Lula, foram apresentados como arautos do serviço público e da moralidade republicana.

A “crise” da Receita desapareceu dos grandes veículos, porém, não há motivo para pânico, pois, logo, a fábrica brasileira de crises nos presenteará com outra. Esperamos que, da próxima vez, ao menos, tenhamos um desfecho. Temos o direito de saber quem é o “Dom João” da trama, como na peça de Shakespeare. Feliz ou não, queremos o final da história, ou então, nosso ingresso de volta.

*Vinicius Wu é Assessor Especial do Ministro da Justiça.

Pinçado de:
http://leituraglobal.com/250/

Isso é trabalhar para o povo

Ao ver essa notícia fiquei imaginando, como os moradores dos outros estados devem estar se moendo de inveja dessa maravilhosa lei criada pelo engenheiro arquiteto (não necessariamente nessa ordem, ou em ordem alguma) José Serra.
Como pode uma lei maravilhosa como essa, demorar tanto tempo para ser criada, só mesmo de mentes brilhantes como dos demotucanos poderia sair algo para resolver a balburdia que sempre foi comprar bananas nas feiras livres ( em São Paulo já não tão livres assim) desse país.
Aos restantes dos brasileiros, resta aguardar as próximas eleições e eleger esse valoroso brasileiro para acabar em todo restante do país, com esse problema que atormenta a vida de todos os brasileiros.
Só achei que faltou um pouco de pulso, ficou muito branda, pois apenas multa de R$317,00 a R$237.000,00 é muito pouco, quem insiste em vender a fruta dessa forma, deveria mesmo é ir pra cadeia, que é o local mais adequado para esses subversivos.



clique na imagem para ler a reportagem

escrito por Sandro Stahl

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

CAVALHEIRO SÓ

Os jovens homossexuais e as mocinhas amorosas,
e as longas viúvas que sofrem de insônia delirante,
e as jovens senhoras há trinta horas emprenhadas,
e os gatos roufenhos que atravessam meu jardim em trevas,
como um colar de palpitantes ostras sexuais
rodeiam minha casa solitária,
inimigos jurados de minha alma,
conspiradores em traje de dormir,
que trocaram por senha grandes beijos espessos.

O verão radiante conduz os namorados
em uniformes regimentos melancólicos
de pares gordos magros e alegres tristes pares:
sob os coqueiros elegantes, junto ao mar e à lua,
há uma vida contínua de calças e galinhas,
um rumor de meias de seda acariciadas,
e seios femininos a brilhar como dois olhos.

O pequeno empregado, depois de tanta coisa,
depois do tédio semanal e das novelas lidas na cama toda noite,
seduziu sua vizinha inapelavelmente
e a leva agora a cinemas miseráveis
onde os heróis são potros ou são príncipes apaixonados,
e lhe acaricia as pernas, véu macio,
com suas mãos ardentes, úmidas que cheiram a cigarro

As tardes do sedutor e as noites dos esposos
se unem, dois lençóis que me sepultam,
e as horas de após almoço em que os jovens estudantes
e as jovens estudantes, e os padres se masturbam,
e os animais fornicam sem rodeios
e as abelhas cheiram a sangue e zumbem coléricas as moscas,
e os primos brincam de estranho jeito com as primas,
e os médicos olham com fúria o marido da jovem paciente,
e as horas da manhã nas quais, como que por descuido, o professor
cumpre os seus deveres conjugais e desjejua,
e inda mais os adúlteros, que com amor verdadeiro se amam
sobre leitos altos, amplos como embarcações;
seguramente, eternamente me rodeia
este respiratório e enredado grande bosque
com grandes flores e com dentaduras
e raízes negras em forma de unhas e sapatos.

Pablo Neruda

(Tradução
de José Paulo Paes)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Rose Abreu e o país da piada pronta: Súmula do STF obriga PF a avisar suspeitos que está investigando

Do blog vi o mundo

por Rose Abreu

Olá, sou agente de Polícia Federal e resolvi postar no seu blog para chamar a atenção sobre uma aberração que está acontecendo no sistema penal brasileiro da qual só vejo silêncio da grande mídia. Recentemente o STF editou uma Súmula Vinculante que dá direito a qualquer pessoa que saiba estar sendo investigada pela polícia ter acesso ao inquérito policial correspondente. Diz o texto: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.

Mesmo se tratando de casos de sigilo, deve ser assegurado o acesso às provas constituídas no procedimento. O Ministério Público Federal no Ceará com base nessa súmula recomendou nesta terça-feira, 15, que a Polícia Federal no estado envie comunicação escrita às pessoas contra as quais tenha sido instaurado procedimento ou inquérito policial.

O processo penal brasileiro identifica dois momentos. O primeiro momento, chamado de fase inquisitória é a abertura do inquérito policial. Quando da notícia de um crime o delegado de polícia instaura um inquérito com o objetivo de identificar a autoria. Instaurado o inquérito os agentes vão colher provas para em um segundo momento subsidiar o Ministério Público em uma ação penal.

Se o Ministério Público entender que há indícios reais de autoria do crime pelo indiciado no inquérito ele oferece denúncia à justiça. Inicia-se então na justiça a ação penal propriamente dita. E é somente nessa fase que o Código de Processo Penal garante a ampla defesa e contraditório onde o Ministério Público se torna o acusador e o indicado se transforma em réu, com acesso total ao inquérito.

Não tenho como policial não sentir com essas súmulas a decretação do fim do trabalho de polícia investigativa, e somada à súmula das algemas o fim da polícia. Não podemos mais algemar e nem investigar em segredo. Na prática, daqui pra frente funciona assim: avisamos o bandido, lá no começo, antes da ação penal, que ele está sendo investigado e mais a frente quando formos executar o mandado de prisão (se ele não tiver destuído às provas e com isso impossibilitado a identificação da autoria) pedimos “por favor” para que o mesmo nos acompanhe. Seria comédia se não fosse preocupante. É bom lembrar que ela vai valer também para todos os outros crimes, como tráfico de drogas, homicídio, estupro, roubo.....

E o mais triste é saber que essa interferência de poderes com a edição de súmulas que limitam o trabalho de polícia ocorreu apenas como conseqüência de uma ação contra um banqueiro (pós Satiagraha). No momento em que o mundo inteiro discute ferramentas para estrangular o crime organizado nosso Supremo facilita o trabalho de criminosos ao dar possibilidade de destruição de provas antes mesmo da abertura de ação penal.

Como policial vejo essas súmulas como mordaça ao nosso trabalho e como cidadã lamento profundamente as conseqüências disso para o país. É chegada a hora de o STF parar de curvar se ao lobby dos grandes escritórios de advocacia para defender em primeiro lugar o interesse da sociedade.

Pinçado de:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rose-abreu-e-o-pais-da-piada-pronta-sumula-do-stf-obriga-pf-a-avisar-suspeitos-que-esta-investigando/

A Folha espalhou terror e deu lucro para laboratórios farmacêuticos

Do blog amigos do presidente Lula.

Vocês lembram dessa manchete da Folha em 19/07/2009?: “Gripe pode afetar até 67 milhões no Brasil em até oito semanas”A pandemia da gripe H1N1 não afetou até 67 milhões no Brasil. Mas com certeza a Folha ajudou Laboratórios Farmacêuticos, lucrarem muito mais que 67 milhões...

A pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas. De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados, informa reportagem de Hélio Schwartsman, (apenas para assinantes).

Ontem na mesma Folha, apenas assinante, sem manchete com fonte extra grande, escondidinha no rodapé da página: “Hospitais desfazem esquema especial para gripe suína”

Com menos número de casos, unidades desmobilizam equipes e retomam rotina; AMAs passam a atender em horário normal.No Emílio Ribas, referência em doenças infecciosas, doentes com os sintomas da gripe recebem o mesmo atendimento que os demais

Os hospitais de São Paulo começaram a desmontar o "esquema de guerra" que havia sido organizado para atender aos doentes de gripe suína no período crítico da epidemia.A desmobilização ocorre por causa dos sinais de que a epidemia caminha para o final.

O hospital Emílio Ribas, referência nacional em doenças infecciosas, deixou de ter uma enfermaria e médicos dedicados exclusivamente aos pacientes com síndrome gripal. E a farmácia que só distribuía o Tamiflu já foi desativada.

Os doentes com os sintomas da gripe agora são atendidos da mesma forma que os demais pacientes do hospital. E o Tamiflu voltou para a farmácia geral do Emílio Ribas.Quando a epidemia explodiu, o Hospital Israelita Albert Einstein precisou suspender a reforma de 20 quartos, para que houvesse leitos em número suficiente para os doentes de gripe em estado grave. Agora, com a gripe suína sob controle, esses quartos já estão interditados para as obras.

No hospital São Paulo, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o pronto-socorro da gripe suína, criado poucos meses atrás, parou de abrir nos sete dias da semana e passou a funcionar só de segunda a sexta. Quem busca o hospital no sábado ou no domingo é atendido no pronto-socorro geral.

Até o final deste mês, os diretores do hospital São Paulo decidirão sobre o fechamento definitivo do pronto-socorro montado especialmente para atender aos infectados pela influenza A (H1N1).

No pior momento da epidemia, 200 pessoas procuraram atendimento num único dia. Hoje o número não passa de 30.As 94 AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) que haviam aumentado o horário de atendimento, inclusive aos domingos, para evitar a superlotação dos hospitais de São Paulo voltarão a funcionar de segunda a sábado e no horário normal, das 7h às 19h, na semana que vem.

Num relatório divulgado no início deste mês, o Ministério da Saúde informou que o número de casos graves da gripe suína pela primeira vez vinha caindo no país. A Secretaria da Saúde de São Paulo notou a mesma tendência de queda no total de casos no Estado.

Pinçado de:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um pouco de heavy metal

Só pra desestressar
Black Label Society - "Stillborn"




letra:
Blind me, erased what was
Stillborn I have become
The feelings I once felt are now dead and gone
I've waited here for you for so very long
So empty, just a shell of a man
Stillborn, this I understand
The feelings I once felt are now dead and gone
I've waited here for you for so very long.

I've waited here for you for so long
I've waited here for you, for you


The feelings I once felt are now dead and gone
I've waited here for you for so very long

I've waited here for you for so long
I've waited here for you for so long
I've waited here for you for so long
I've waited here for you, for you


tradução:
Cega-me, apague o que era
Natimorto eu me tornei
Os sentimentos que eu uma vez senti agora estão mortos, foram.
Eu esperei aqui por você por tanto tempo
Tão vazio, Apenas uma casca de um homem
Natimorto, isso eu entendo
Os sentimentos que eu uma vez senti agora estão mortos, foram.
Eu esperei aqui por você por tanto tempo

OS GNÚS E OS CROCODILOS

Do blog Y sem soma
Mais uma ótima fábula de Y sem soma

Os gnús aos montes iam
Numa tão longa jornada
A savana é que era a estrada
Do caminho que faziam
Pela terra ensolarada

Toda África que via
O mover-se da manada
Quase assim imaginava
Um só corpo em harmonia
Que o mundo desbravava

Mas se unido parecia
Bem o bando enganava
Um ao outro atropelava
Porque a lei dali dizia
Para um tudo. Ao outro? Nada!

Quando a regra é avançar
Ninguém olha para o lado
Quem não pisa é pisado
Se um atreve-se a esperar
Também é abandonado

E os dois viram alimento
Nisso o monstro é que prospera
Abre a boca, só espera
Depois noutro movimento
Fecha a boca, aí já era

E vão outros mais à frente
Quase sem esforço algum
É assim infelizmente
Abre a boca novamente
Quando fecha foi mais um

Pode ser pai filho irmão
Para o bando tanto faz
É assim que as coisas são
Nem que morra um milhão
Não se voltam para trás

Talvez por se preocupar
Só consigo e mais ninguém
Que nunca foram perguntar
Um ou outro e procurar
Se fraqueza o monstro tem

Sim! O monstro tem fraqueza
E isto já nem é surpresa
Antes que ele dilacera
Pise nos olhos da fera
Que abre a boca e larga a presa

Penso que é assim com a gente
Que é tão individual
Se alguém tomba ninguém sente
Vai seguindo infelizmente
E morre... do mesmo mal.

Pinçado de:
http://ysemsoma.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Se nossa imprensa fosse séria...



Se nossa imprensa fosse séria e não fizesse propaganda travestida de notícia, teria agido assim,ao invés de dissiminar o pânico na população. A pergunta que não quer calar é: então folha de São Paulo, já estamos perto de 35 milhões de infectados com o vírus A-H1N1?

Serra, Aécio e FHC afinam discurso do fracasso

Do blog amigos do presidente Lula

Só faltou Yeda Crusius (PSDB/RS) e Eduardo Azeredo (PSDB/MG) nesta foto.





Nesta segunda-feira, o governador de MG, Aécio Neves (PSDB), esteve em São Paulo, para inaugurar um casarão chamado Espaço Minas Gerais, bancado pelo Governo de Minas (foto acima).

Como convidados de honra estavam presentes José Serra (PSDB/SP), FHC (PSDB/SP), Kassab (DEMos/SP) e Orestes Quércia (PMDB/SP). Fotógrafos oficiais e da imprensa cuidaram de evitar a aparição de Quércia nas fotos.

José Serra e Aécio irão para as eleições de 2010 sem resultados expressivos para mostrar em seus governos estaduais. Seus governos foram pífios, e só propaganda enganosa (tanto de agências de publicidade como da imprensa) é que garante uma popularidade em seus estados, bem acima da merecida.

Seus governos deveriam ser vitrines para credenciá-los como candidatos, no entanto a vitrine está vazia... e suja ... repleta de escândalos de corrupção encobertos tanto pelas Assembléias Legislativas, como pela imprensa que os apóia e protege a corrupção em seus respectivos governos.

Dessa forma Aécio já ensaia o discurso do fracasso, resmungando "fortalecimento absurdo" do governo federal, em relação aos estados. Serra diz o mesmo.

Ora, que discurso mais falso.

Governadores tucanos pregam e fazem o estado mínimo, em seus choques de gestão, e agora vem reclamar do governo federal de Lula e Dilma, que defende e faz um estado forte, à altura da grandeza da nação brasileira?

Quem privatizou as estatais estaduais, sucatearam serviços públicos, e se tornaram governos fracos foram esses governadores demo-tucanos.

Aliás o governo federal também estava fraco na época demo-tucana. Privatizou várias estatais federais, o pouco dinheiro com a venda a preço de banana arrecado sumiu, e em vez disso houve uma explosão da dívida pública, deixando o Brasil fraco, dependente e submisso ao "mercado" e às potências estrangeiras.

Lula E Dilma foram quem tornaram o Brasil forte novamente. Graças às suas decisões, é que a Petrobras está forte, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Eletrobras, tem força e recursos para executar projetos de desenvolvimento nacional, como o PAC, como as moradias da "Nossa Casa, Nossa Vida", coisas que o "mercado" jamais faria.

Serra há pouco vendeu o último banco estadual paulista (Nossa Caixa). Só não foi privatizado para o cartel dos bancos, porque o Banco do Brasil comprou. É óbvio que, com isso, o banco federal ficou mais forte, e o governo de São Paulo mais fraco, para financiar pequenos e médios empresários, gerar empregos, financiar moradias, a aquisição de bens, etc.

Pinçado de:
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

Serra e o petróleo 1

Do exelente blog Tia Carmela

O Mais Economista dos Engenheiros e o Mais Engenheiro dos Economistas, o grande governador J. Serra, prova mais uma vez que é um grande estadista. Já avisou que, se eleito mudar as normas de exploração do petróleo do pré-sal que ainda nem foram definidas pelo governo. Com isso, quer mandar um recado a quem tem interesse nisso de que quer retornar a política de enfraquecimento da Petrobrás levada adiante nos tempos de FHC, e facilitar a apropriação da riqueza por estrangeiros. Talvez esta posição já seja fruto da assessoria de empresa americana concorrente da Petrobrás, que o seu partido, o PSDB, está recebendo, conforme declarou o senador Alvaro Dias, seu colega de partido…




Comentário da Tia Carmela: Lembro quando o menino Zezinho já estava moço e foi estudar na Politécnica. Aí ele começou a andar com um bando de estudantes que gostava de política e vivia chamando os outros de “entreguista”. Eu nunca entendi bem mas lembro que todo mundo lá na Móoca dizia que era fogo de palha, coisa de estudante, e logo ele voltava ao normal…


Pinçado de:
http://byebyeserra.wordpress.com/

Tudo claro

tudo claro
ainda não era o dia
era apenas o raio

Paulo Leminski

[do livro Distraídos Venceremos]

Papo cabeça ideológico

Do blog óleo do diabo - Por Miguel do Rosário

Então, eu acho que devemos partir pro debate político. Não é preciso esperar eleições para praticá-lo. As ideologias devem ser questionadas, para avançarem. Esse é o significado profundo do "materialismo dialético" dos marxistas... Bem, não se pode afirmar nunca com segurança o que os marxistas querem dizer, porque eles são legião e brigam entre si. Aquele reaça do Mario Vargas Llosa é um exímio escritor, apesar de tudo, e foi na jugular do trotskismo no romance Historia de Mayta, onde um minúsculo grupinho marxista se fragmenta até se converter num emaranhado de indivíduos isolados querendo se matar uns aos outros. Enfim, é fundamental praticarmos o debate ideológico, sem preguiça, não necessariamente antenados nas eleições, mas, por outro lado, conscientes de que a eleição, num regime democrático já em fase de amadurecimento, como o brasileiro, é a verdadeira práxis revolucionária.

Não concordo, em absoluto, com as teses de que o capitalismo engoliu a ação política e que, não importa quem seja eleito, tudo continua na mesma. Acho essa proposição anti-histórica e submissa. Ora, a realidade nega isso. Governantes eleitos podem promover mudanças profundas. Evo Morales nacionalizou toda a indústria de gás do país. Isso não é mudar? Chávez idem. Isso não é mudar? Vargas criou todas as grandes estatais do Brasil moderno (Petrobrás, Eletrobrás, CSN, entre outras).

O capitalismo é uma força avassaladora, mas também acho que é do interesse do capitalismo se superestimar, dar-se poderes que não tem. Existem, isso sim, forças econômicas poderosas, mas não devemos confundi-las com capitalismo. São forças da natureza, existentes em qualquer regime de governo, comunista, medieval ou capitalista. Existe oferta e demanda. Existe carência, excesso. Você pode derrubar o capitalismo, mas não vai mudar a natureza.

Por isso eu costumo falar, ironicamente, que sou capitalista. Porque não acredito no capitalismo. Creio que ele é um grande engodo que os capitalistas inventaram para ampliarem seu próprio poder. É uma ilusão ideológica. Afinal, qual é a concretude do capitalismo? É o dinheiro? Ora, o dinheiro existe, quiçá, desde os primórdios do homem. Ah, podemos concordar com Engels e enxergar o capitalismo na pré-história da humanidade, quando o homem aprendeu a domesticar animais e botou a filharada pra trabalhar. Tudo certo, mas a interpretação de Engels tem um subtexto insuportavelmente moralista, julgando-o como um avanço do capitalismo malvado sobre a sociedade humana, o que é ingênuo e equivocado, porque dá um prestígio ao capitalismo que ele, definitivamente, não merece.

Hoje escutei, na Voz do Brasil, um comentarista lembrar que governos de todo planeta colocaram mais de 10 trilhões de dólares nos mercados financeiros, principalmente nos bancos falidos, para salvar o mundo de uma grande catástrofe econômica. Ora, ora. Que beleza. Capitalismo de merda esse. Na hora do vamo-ver, vai todo mundo comer capim na mão do papai.

O grande Chomsky tinha razão. O capitalismo não existe. Os Estados Unidos é um regime econômico lastreado no poder do Estado. O Estado emite a moeda. O Estado patrocina o avanço tecnológico. Em tudo, está sempre a mãozinha do papai fazendo a América andar pra frente. E quando o Estado recua, como ocorreu nos tempos do neoliberalismo, é só para dar um grande salto mais tarde, como está acontecendo agora. Os EUA estatizaram os principais bancos, as maiores seguradoras, e a General Motors correu pro colo macio do titio que trabalha na repartição.

Quando eu digo, portanto, que sou capitalista, estou sendo irônico e citando o anarquista Chomsky. Afinal, estamos no Brasil, onde 90% da população estuda em escolas públicas, é atendida na rede pública de saúde, e recebe aposentadoria do sistema previdenciário público.

O mais importante é o seguinte. O país é governado por políticos eleitos através de um sufrágio público. E a economia é regida por um Banco Central público. As estradas são construídas pelo Estado - embora alguns as vendam depois para empresas privadas explorarem o pedágio... Portos, aeroportos, rede sanitária, hidrelétricas, usinas nucleares, tudo é construído pelo Estado, ou seja, pelo povo brasileiro. A segurança pública é controlada, principalmente, pelo Estado. O sistema judiciário também é estatal. E vocês vem me dizer que é o capitalismo que manda no país? Ora,o capitalismo manda, sim, mas é nas suas cabeças. O povo brasileiro tem liberdade para votar em candidatos do Executivo e do Legislativo, e uns podem realizar grandes investimentos em isso ou aquilo e os outros, simplesmente, poderem criar e mudar as leis! O poder, portanto, continua emanando do povo; se o povo é bobo, é outra história.

Não, não tenho nenhum otimismo ou esperança. Não trabalho com esses conceitos. Tenho fé na força e na violência, isso sim, na força da inteligência e na violência das paixões. É nisso em que eu acredito. Agora, de fato, temos um problema muito grave no Brasil. Provavelmente é um problema mundial. É o sistema de comunicação de massa, por toda a parte em mãos de corporações privadas. O capitalismo mais grosseiro e anti-democrático refugiu-se nas mídias corporativas, e não é por outra razão que elas investem sistematicamente contra as instituições públicas e democráticas. Às mídias não interessam um sistema de saúde público - querem planos de saúde privados que gastem milhões de publicidade em suas páginas e no intervalo da novela, e zero em pesquisa e pouco em atendimento, resultando em hospitais tão chiques como hotéis, mas com médicos incompetentes e serviços ineficazes.

Essa crise financeira trouxe-me, por exemplo, uma convicção quase obsessiva. É preciso acabar com os bancos privados. Qual a razão de deixarmos o destino de bilhões de seres humanos em instituições financeiras privadas dirigidas por playboys enlouquecidos? Com que finalidade, meu Deus? Para quebrarem e obrigarem os povos a arcar com a dívida? Sim, porque os bancos privados sempre quebram, uma hora ou outra. E não aceito que eu, ou meus filhos, tenham que pagar por isso. Eu e meu falecido pai éramos micro-empresários e estávamos a toda a hora quebrando. O Estado não nos ajudava. Nem queríamos ajuda. Quebrávamos com dignidade e dávamos sempre a volta por cima. Até que o doutor Fernando Henrique Cardoso colocou à frente do Banco Central um outro doutor chamado Armínio Fraga (cuja genialidade me lembra muito a de um terceiro doutor, o "brilhante" Daniel Dantas) que, no seu primeiro dia de gestão, elevou os juros básicos do país para 45% ao ano! Com isso, os juros reais dos bancos subiram outras dezenas de pontos percentuais, e nós, micro-empresários cheios de cheques especiais no Banco Itaú, de repente passamos a pagar alguns milhares de reais por ano, quiçá dezenas de milhares de reais, por causa desse capricho neoliberal. Outro capricho foi privatizar a telefonia sem realizar uma regulamentação que evitasse a explosão dos preços das ligações, de maneira que, após a mesma, os gastos da nossa micro-empresa com telefone decuplicaram. Por fim, privatizou o serviço de agência de correios igualmente sem regulamentar os preços finais ao consumidor, fazendo com que nossos custos de correio, que eram enormes, pois tínhamos mais de 600 assinantes em todo país, subissem 4.000% de um dia para outro.

É natural que quebrássemos. Não conheço, aliás, uma empresa do tempo do senhor Fernando Henrique Cardoso que não tenha quebrado ou chegado muito perto disso. Até os grandes, como O Globo, registraram um brutal aumento no endividamento. Os funcionários públicos ficaram sem reajuste por quase 8 anos. Conheci professores de Universidades Federais que ficaram sete meses sem receber. Mas era tão bom um presidente que falava francês fluentemente, né? Esses mesmos professores, esses mesmos empresários, dotados de uma impressionante memória de chimpanzé, agora criticam violentamente o governo Lula por ter rasgado a bandeira da ética... Na realidade, macaqueiam o que lêem nos jornais, já que pensar com a própria cabeça não é tarefa fácil.

Os escândalos e ideologias forjados nas redações de três empresas espraiam-se por toda nação a uma velocidade inacreditável, pautando a agenda política nacional, as conversas das famílias "bem informadas", o bafafá no cafezinho das empresas, o debate estético. Se isso não é uma interferência anti-democrática na vida política e cultural do país, então não sei o que é. Entretanto, a história ensina que o poder é sempre cruel, e que aqueles que o enfrentam quase sempre se dão mal, pois a vida é curta. A vida humana é muito mais curta que a vida de uma grande instituição.

Mas eis que surge uma idéia fantástica. Mais que isso, é A IDÉIA. A Organização das Nações Unidas (ONU) mandou circular, há pouco, uma proposta de criar uma moeda mundial única. É agora que os Olavinhos cortam os pulsos ou têm um enfarte. Há tempos que constatei que a neo-direita global repete, em tudo, os cacoetes medievais. Não é capitalista de verdade. Já estão defendendo as moedas locais, assim como os senhores feudais apegavam-se às suas moedas particulares. O capitalismo moderno nasce com a derrocada desses senhores e a implantação da unificação monetária no interior das nações.

A direita contemporânea é simplesmente reacionária, no sentido mais odiosamente biológico. Representa as forças da imobilidade, essas mesmas que, pela própria dialética inerente ao espírito humano, estão sempre puxando o homem para trás. Essas forças retrógradas, no entanto, são necessárias à história, porque elas obrigam as forças progressistas a se tornarem mais vigorosas, mais dinâmicas, até o peso pender, definitivamente, para um novo Renascimento.

É preciso lutar, todavia, como disseram ao boxeador antes dele entrar no ringue do Tyson. Sem luta, não há justiça, não há avanço. As pessoas subestimam muito o poder destruidor do medo e da preguiça mental. Afinal, se um mísero vírus, um ser com limitações físicas e desprovido de inteligência, pode ameaçar a humanidade, imagine o potencial devastador de uma ideologia baseada nesses dois monstros da alma. Uma ideologia não tem as limitações do concreto. Pode ser transmitida digitalmente, via internet, a uma velocidade espantosa. E o problema é que as pessoas não morrem, precisamente, de medo ou preguiça. É algo como a Aids. Ninguém morre de Aids, mas de complicações decorrentes. A Aids detona o sistema imunológico, assim como o medo e a preguiça destroem nossas defesas ideológicas, tornando-nos presa fácil para as teorias mais estapafúrdias propagadas pela mídia. Vide o caso dos americanos, chantageados por mentiras, ilações falsas e argumentos pérfidos. Após alguns editoriais bem escritos, e apavorantes, a indústria bélica tungou alguns trilhões de dólares do contribuinte americano. Para quê? Para lançar mísseis de 3 milhões de dólares sobre choupanas, no Afeganistão, avaliadas cada uma, aproximadamente, em cinquenta cents.

Outro dia, conversando com uma garota, eu afirmei que odiava intelectuais. Está certo que era papo de bêbado, mas não posso agora negar o que disse. Resta-me explicar. Eu sou um intelectual. O que eu odeio, na verdade, é quem usa a cultura como vaidade, e fala ou escreve difícil desnecessariamente. O Eclesiastes já advertia que os (pretensos ou não) sábios também são feitos de pura vaidade. É certo, somos todos grandes vaidosos. O que me irrita, no entanto, é perceber o vazio por trás das palavras empoladas.

E há que ser duro também, pois muita gente confunde melancolia com poesia e tristeza com inteligência. A melancolia só gera poemas piegas e argumentações filosóficas capengas. A tristeza, isso eu aprendi muito dolorosamente, deve ser coada no filtro do que restou de vigor, coragem e lucidez no espírito. O resto é lixo.

Não existe sabedoria. Há consequências e força. Não existe ética, e sim justiça. Não existe moral, e sim alegria. Podemos lançar esse tipo de frases à vontade, e elas terão sempre uma força poética e um vigor político, derivados não delas próprias, mas da enorme liberdade do espírito humano, que é governado exclusivamente por seu juizo e seu conceito íntimo e intuitivo de justiça. Lembram do filme Os Fuzis, do Ruy Guerra? O ápice da história ocorre quando o caminhoneiro, que ficou largado num lugarejo miserável do nordeste (por falta de gasolina e mercadorias para levar de volta), assiste, estarrecido, um sertanejo adentrar o bar segurando o filho morto, de fome, pedindo uma caixa para usar de caixão. Lá fora, uma frota de caminhonetes começa a levar embora da cidade os alimentos de um armazém abarrotado, cujo proprietário havia se recusado a vender os artigos, de olho na alta especulativa que a seca proporcionava. O caminhoneiro, representante de uma cidadania orgulhosa, não suporta ver uma injustiça tão gritante e sacode o sertanejo, pede que ele se revolte, aponta os caminhões levando os alimentos para fora da cidade, enquanto a população agonizava de fome. Enfim ele surta e parte para cima dos funcionários do armazém e seguranças que o defendiam, armado de um fuzil que rouba de um soldado.

Tem aquela frase, "os fins justificam os meios", atribuída a Maquiavel (que não é dele, todavia), mas o buraco é muito mais embaixo, porque, geralmente, os inquisidores e moralistas que apontam o dedo sãos os primeiros a rezar por essa cartilha. O pior crime numa democracia é a falsa acusação, pois é o ponto fraco de um regime aberto onde todos tem direito à palavra. A partir do momento em que se pode ir ao centro da ágora e acusar um vizinho de roubar-lhe as ovelhas e as terras, e que a sociedade, baseada apenas na palavra do cidadão, pode mandar prender e mesmo executar este vizinho; ou pior, no momento em que uma falsa acusação podia levar a comunidade a declarar uma guerra, gerando prejuízos humanos incalculáveis, esse se tornou o crime capital em diversos momentos do Mundo Antigo. Montesquieu, no Espírito das Leis, conta que, no consulado de Acilius Glabrio e Pisão, na Roma Antiga, foi decretada a lei Acilia, para acabar com as intrigas; a lei era uma versão mais branda de uma outra, que impunha penas terríveis contra esse tipo de crime. Montesquieu era um campeão das causas da liberdade, e por isso mesmo estudou a fundo a história das lutas sociais em prol dessa deusa de asas longas. Ele escreve: "Acontece muitas vezes nos Estados populares que as acusações sejam públicas e seja permitido a todo homem acusar a quem quiser. Tal coisa fez com que se estabelecessem leis próprias para proteger a inocência dos cidadãos." Em Atenas, o acusador que não apresentasse provas suficientes, tinha que pagar uma considerável multa. "Em Roma, o acusador injusto era considerado infame, e se imprimia a letra K na sua testa. Punham-se guardas junto ao acusador para que não pudesse corromper os juízes ou as testemunhas."

Os problemas com que lidamos hoje, portanto, vêm de longe. A história da humanidade é triste, mas também é repleta de belíssimos exemplos de luta. As rebeliões dos escravos em Roma, das quais a mais famosa foi a de Spartacus, foram todas reais e documentadas. O exército de escravos de Spartacus por pouco não destruiu o nascente Império Romano. São fatos realmente impressionantes, exemplos maravilhosos de coragem, disciplina e espírito de luta. Não faz sentido desistirmos agora, com um pessimismo de meio vintém, enquanto mandamos a empregada preparar a janta. E a luta se dá, numa democracia, no embate ideológico, que não pode ser nunca sectarizado, ou temido, ou evitado. O debate ideológico é um ato de cultura, artístico, de uma artisticidade da qual todos os cidadãos podem partilhar, ainda mais agora, que a internet produziu esse maravilhoso fenômeno, a intelectualização da massa.

Pois a internet tornou a universidade obsoleta. Os professores, por isso mesmo, depois de rirem da angústia dos jornalistas, que perderam tanto poder e prestígio nos últimos tempos, terão em breve o seu momento de caça, quando a propagação do conhecimento e a consolidação das novas tecnologias estreitarem cada vez mais as diferenças entre os que estudam em Harvard, Berlim ou na sua própria casa. Pela internet, tenho acesso aos textos greco-latinos, posso estudar alemão, e isso será cada vez mais importante. As universidades terão uma importância social, para conhecer garotas e fazer amigos, mas tornar-se-ão irrelevantes no quesito multiplicação de conhecimento. Terão importância na pesquisa, claro, mas também nesse ponto haverá uma enorme diluição de poder, com a disseminação de pequenos e anárquicos laboratórios independentes, conectados entre si pela rede mundial de computadores.
# Escrito por Miguel do Rosário # Sábado, Setembro 12, 2009

Pinçado de:
http://oleododiabo.blogspot.com/2009/09/papo-cabeca-ideologico.html

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

'Economia sobreviveu à crise graças à parte mais pobre do país', diz Lula

Presidente inaugurou cais no Porto de Suape, em Pernambuco.
Lula comemorou as informações do IBGE de que o país saiu da recessão.

Robson Bonin
Do G1, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (11), durante discurso no município de Ipojuca, em Pernambuco, que a economia brasileira só atravessou a crise financeira mundial em função dos sacrifícios do povo. "Esse país estava mais preparado do que todo o mundo desenvolvido para enfrentar a crise. Estávamos preparados porque o povo fez sacrifício quando teve que fazer sacrifício, porque teve paciência, quando teve de ter paciência. Graças ao povo brasileiro e, sobretudo, à parte mais pobre desse país, a economia sobreviveu", discursou Lula



Para o presidente, foi o consumo das classes populares que segurou a economia durante o período mais agudo da crise. Lula discursou durante a inauguração do Cais V do Porto de Suape, em Ipojuca (PE). A obra recebeu investimentos de R$ 125 milhões, sendo R$ 62,9 milhões da União, e gerou 800 empregos.
O presidente comentou os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo os quais o país saiu da recessão no segundo trimestre deste ano e lembrou o começo da crise, entre novembro e dezembro de 2008, quando algumas empresas demitiram ou concederam férias coletivas a trabalhadores.



Para o presidente, “muita gente errou ao acreditar mais nas manchetes dos jornais” do que nas informações que eram divulgadas pelo governo. "A verdade é que o PIB de hoje demonstra que a economia brasileira está se recuperando. Mas demonstra também que ele só caiu, do jeito que caiu, porque uma parte da sociedade brasileira entrou em pânico. Porque acreditou mais nas manchetes de jornais do que naquilo que a gente falava que iria acontecer nesse país”, afirmou Lula.


Segundo os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE, a economia brasileira saiu da recessão no segundo trimestre de 2009, quando cresceu 1,9% em comparação aos três meses imediatamente anteriores.

Ainda em Pernambuco, Lula participou da cerimônia do batimento de quilha do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, subsidiária da Petrobrás no setor de logística e transporte de combustíveis. O ato, ocorrido no dique do Estaleiro Atlântico Sul, simboliza o início da montagem do navio, com o primeiro bloco do casco sendo posicionado no dique seco para a fase final de ajustes em terra antes do seu lançamento ao mar, o que deve ocorrer já no início do próximo ano.

Pré-sal

Ao final da visita ao Porto de Suape, Lula concedeu entrevista aos jornalistas e falou sobre a tramitação dos quatro projetos que tratam do marco regulatório do pré-sal na Câmara dos Deputados.



Até a manhã desta sexta, os parlemanteres já haviam protocolado 228 emendas aos projetos. Para Lula, o número de emendas não é problema. "Não estou preocupado com o número de emendas que eles vão apresentar. O que estou preocupado é com o calendário de votação", argumentou o presidente.



Entenda a tramitação dos projetos do pré-sal



Dados da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara desta quinta-feira (10) mostravam a existência de 222 emendas, apresentadas em apenas oito dias do prazo para apresentação das medidas. O número deve triplicar até o próximo dia 18 de setembro, data em que termina o prazo para o registro de emendas.

O período de apresentação de emendas deveria ser encerrado nesta quinta, mas a retirada do regime de urgência dos projetos por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez com que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), decidisse prorrogar o prazo até a sexta-feira da próxima semana.

Dos quatro projetos enviados à Câmara no dia 1 de setembro pelo presidente Lula, o que estipula o regime de partilha dos royalties da produção do petróleo entre os estados foi o que mais recebeu emendas: 80, até as 16h25 desta quinta-feira (10).

Pinçado de:
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1300981-5601,00-ECONOMIA+SOBREVIVEU+A+CRISE+GRACAS+A+PARTE+MAIS+POBRE+DO+PAIS+DIZ+LULA.html

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Eleições e mídia, tudo a ver

D site de Carta Capital
08/09/2009 12:27:28

Emiliano José

Eu estava na ante-sala de uma médica, em Salvador. Sábado, dia 29 de agosto. E apenas por essa contingência, dei-me de cara com uma chamada de primeira página – uma manchetinha – da revista Época, já antiga, de março deste ano de 2009: A moda de pegar rico – as prisões da dona da Daslu e dos diretores da Camargo Corrêa.

Alguém já imaginou uma manchete diferente, e verdadeira como por exemplo, A moda de prender pobres? Ou A moda de prender negros? Não, mas aí não. A revolta é porque se prende rico. Rico, mesmo que cometendo crimes, não deveria ser preso.

Lembro isso apenas para acentuar aquilo que poderíamos denominar de espírito de classe da maioria da imprensa brasileira. Ela não se acomoda – isso é preciso registrar. Não se acomoda na sua militância a favor de privilégios para os mais ricos. E não cansa de defender o seu projeto de Brasil sempre a favor dos privilegiados e a favor da volta das políticas neoliberais. Tenho dito com certa insistência que a imprensa brasileira tem partido, tem lado, tem programa para o País.

E, como todos sabem, não é o partido do povo brasileiro. Ela não toma partido a favor de quaisquer projetos que beneficiem as maiorias, as multidões. Seus olhos estão permanentemente voltados para os privilegiados. Não trai o seu espírito de classe.

Isso vem a propósito do esforço sobre-humano que a parcela dominante de nossa mídia vem fazendo recentemente para criar escândalos políticos. E essa pretensão, esse esforço não vem ao acaso. Não decorre de fatos jornalísticos que o justifiquem.

Descobriram Sarney agora. Deu trabalho, uma trabalheira danada. A mídia brasileira não o conhecia após umas cinco décadas de presença dele na vida política do país. Só passou a conhecê-lo quando se fazia necessário conturbar a vida do presidente da República. O ódio da parcela dominante de nossa mídia por Lula é impressionante. Já que não era possível atacá-lo de frente, já que a popularidade e credibilidade dele são uma couraça, faça-se uma manobra de flanco de modo a atingi-lo. Assim, quem sabe, terminemos com a aliança do PMDB com o PT.

Não, não se queira inocência na mídia brasileira. Ninguém pode aceitar que a mídia brasileira descobriu Sarney agora. Já o conhecia de sobra, de cor e salteado. Não houve furo jornalístico, grandes descobertas, nada disso. Tratava-se de cumprir uma tarefa política. Não se diga, porque impossível de provar, ter havido alguma articulação entre a oposição e parte da mídia para essa empreitada. Talvez a mídia tenha simplesmente cumprido o seu tradicional papel golpista.

Houvesse a pretensão de melhorar o Senado, de coibir a confusão entre o público e o privado que ali ocorre, então as coisas não deviam se dirigir apenas ao político maranhense, mas à maior parte da instituição. Só de raspão chegou-se a outros senadores. Nisso, e me limito a apenas isso, o senador Sarney tem razão: foi atacado agora porque é aliado de Lula. Com isso, não se apagam os eventuais erros ou problemas de Sarney. Explica-se, no entanto, a natureza da empreitada da mídia.

A mídia podia se debruçar com mais cuidado sobre a biografia dos acusadores. Se fizesse isso, se houvesse interesse nisso, seguramente encontraria coisas do arco da velha. Mas, nada disso. Não há fatos para a mídia. Há escolhas, há propósitos claros, tomadas de posição. Que ninguém se iluda quanto a isso.

Do Sarney a Lina Vieira. Impressionante como a mídia não se respeita. E como pretende pautar uma oposição sem rumo. É inacreditável que possamos nós estarmos envolvidos num autêntico disse-me-disse quase novelesco, o país voltado para saber se houve ou não houve uma ida ao Palácio do Planalto. Não estamos diante de qualquer escândalo. Afinal, até a senhora Lina Vieira disse que, no seu hipotético encontro com Dilma, não houve qualquer pressão para arquivar qualquer processo da família Sarney – e esta seria a manchete correta do dia seguinte à ida dela ao Senado. Mas não foi, naturalmente.

Querem, e apenas isso, tachar a ministra Dilma de mentirosa. Este é objetivo. Sabem que não a pegam em qualquer deslize. Sabem da integridade da ministra. É preciso colocar algum defeito nela. Não importa que tenham falsificado currículos policiais dela, vergonhosamente. Tudo isso é aceitável pela mídia. Os fins, para ela, justificam os meios.

Será que a mídia vai atrás da notícia de que Alexandre Firmino de Melo Filho é marido de Lina? Será? Eu nem acredito. E será, ainda, que ele foi mesmo ministro interino de Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso, entre agosto de 1999 e julho de 2000? Era ele que cochichava aos ouvidos dela quando do depoimento no Senado? Se tudo isso for verdade, não fica tudo muito claro sobre o porquê de toda a movimentação política de dona Lina? Sei não, debaixo desse angu tem carne...

Mas, há, ainda, a CPI da Petrobras que, como se imaginava, está quase morrendo de inanição. Os tucanos não se conformam, E nem a mídia. Como é que a empresa tornou-se uma das gigantes do petróleo no mundo, especialmente agora sob o governo Lula e sob a direção de um baiano, o economista José Sérgio Gabrielli de Azevedo? Nós, os tucanos, pensam eles, fizemos das tripas coração para privatizá-la e torná-la mais eficiente, e os petistas mostram eficiência e ainda por cima descobrem o pré-sal. É demais para os tucanos e para a mídia, que contracenou alegremente com a farra das privatizações do tucanato.

Acompanho o ditado popular “jabuti não sobe em árvore”. A CPI da Petrobras não surge apenas como elemento voltado para conturbar o processo das eleições. Inegavelmente isso conta. Mas o principal são os interesses profundos em torno do pré-sal. Foi isso ser anunciado com mais clareza e especialmente anunciada a pretensão do governo de construir um novo marco regulatório para gerir essa gigantesca reserva de petróleo, e veio então a idéia da CPI, entusiasticamente abraçada pela nossa mídia. Não importa que não houvesse qualquer fato determinado. Importava era colocá-la em marcha.

Curioso observar que a crise gestada pela mídia com a tríade Sarney-Lina-Petrobras, surge precisamente no mesmo período daquela que explodiu em 2005. Eleições e mídia, tudo a ver. Por tudo isso é que digo que a mídia constitui-se num partido. Nos últimos anos, ela tem se comportado como a pauteira da oposição, que decididamente anda perdida. A mídia sempre alerta a oposição, dá palavras-de-ordem, tenta corrigir rumos.

De raspão, passo por Marina Silva. Ela sempre foi duramente atacada pela mídia enquanto estava no governo Lula. Sempre considerada um entrave ao desenvolvimento, ao progresso quando defendia e conseguia levar adiante suas políticas de desenvolvimento sustentável. De repente, os colunistas mais conservadores, as revistas mais reacionárias, passam a endeusá-la pelo simples fato de que ela saiu do PT. É a mídia e sua intervenção política. Marina, no entanto, para deixar claro, não tem nada com isso. Creio em suas intenções de intervenção política séria, fora do PT. Neste, teve uma excelente escola, que ela não nega.

Por tudo isso, considero essencial a realização da I Conferência Nacional de Comunicação. Por tudo isso, tenho defendido com insistência a necessidade de uma nova Lei de Imprensa. Por tudo isso, em defesa da sociedade, tenho defendido que volte a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Por tudo isso, tenho dito que a democratização profunda da sociedade brasileira depende da democratização da mídia, de sua regulamentação, de seu controle social. Ela não pode continuar como um cavalo desembestado, sem qualquer compromisso com os fatos, sem qualquer compromisso com os interesses das maiorias no Brasil.

Pinçado de:
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4967

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

Pablo Neruda

José Serra, os porquinhos e a matemática.

Esses videos mostram como se faz necessário a saída do sapo barbudo analfabeto e ignorante, para a entrada de alguém culto e versado em todos os assuntos.

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